Uma feira regional onde se encontra de tudo. Comidas típicas, artesanato, hortifruti, roupas para crianças e adultos, calçados, eletrônicos, produtos de beleza, brinquedos, bolsas, bijuterias, acessórios, enfeites, e até mesmo, aquele vinil bem antigo, coisa rara de encontrar hoje em dia. Também tem roda de capoeira, música, e duas praças de alimentação com deliciosas opções. Toda essa variedade tem na Feira do Bairro Amazonas, que completou 59 anos e, no próximo dia 6 de dezembro (sexta-feira), será realizado um evento gastronômico, o “Comida de Feira”, para celebrar essa data na cidade, a partir das 18h. O evento contará com as barracas de alimentação e música ao vivo. A entrada é livre.
A Feira do Bairro Amazonas é tombada pelo patrimônio histórico e funciona todo domingo, das 6h às 15h30, ao longo de 800 metros da Avenida Alvarenga Peixoto, na Regional Industrial. Cerca de 600 barracas variadas são visitadas a cada domingo por cerca de 6 mil pessoas de todas as regiões de Contagem e cidades vizinhas.
Segundo o gerente da Feira do Bairro Amazonas, Luiz Carlos de Araújo, a característica marcante é de uma feira popular e regional. “Essa feira nasceu na década de 1960 quando pequenos produtores se reuniram para comercializar seus produtos e com crescimento da região a feira foi se expandindo. Hoje, ela é bem tradicional na cidade e vem recebendo melhorias constantes por parte da Prefeitura. Um bom exemplo é contar com fiscalização constante, Vigilância Sanitária, Guarda Civil e Transcon todos os domingos”, disse.
Dona Conceição Cândida da Fonseca tem 70 anos e desde a década de 1970 expõe na Feira do Bairro Amazonas todos os domingos. Boa parte da história de sua vida se passou ali, quando ainda bem jovem, ela começou a costurar e a vender roupas e artigos para bebês até 2 anos e assim continua até hoje. “Nesta feira eu criei quatro filhos. Tirei o sustento da minha casa aqui. Fiz muitas amizades e uma boa clientela. Graças a Deus, nós vencemos, conseguimos comprar um lote e construir nossa casa, hoje eu já sou avó e com muito orgulho continuo firme forte com a ajuda da minha filha aqui. Amo essa Feira e sou muito feliz, pois melhora a cada dia.”, disse.
Uma das mais antigas expositoras da Feira do Bairro Amazonas, Ana Maria Teodoro, sai de sua cidade Mário Campos, onde é pequena produtora rural, e vem para Contagem comercializar seus produtos, direto da horta de sua fazenda, todos os domingos, desde a década de 1980. “Quando cheguei aqui, sentava no meio-fio para amamentar minha filha mais nova. Assim criei quatro filhos e oito netos. O povo de Contagem é muito hospitaleiro e honesto, se eu falto um domingo todos já me ligam preocupados. Se me devem R$ 1, no outro final de semana vêm me pagar. Sou contagense de coração, na minha história lembro com carinho de tudo desde o dia que cheguei nesta cidade procurando uma oportunidade”, disse.
Eva Luiza da Silva, moradora do bairro Bandeirantes, tem 25 anos de Feira. Ela faz artesanato e diz que já viveu somente da feira, mas hoje faz faxina para completar a renda. “Nós tralhamos com muita dificuldade, temos que ter muita força de vontade para viver só de artesanato, pois o comércio caiu muito, nos últimos meses devido à crise na economia. Mas acredito que podemos melhorar divulgando mais a feira para toda a cidade. Nós vemos esse empenho da gerência, não tínhamos a estrutura que hoje tem, por isso acredito que as vendas vão melhorar”, disse.
A Feira do Bairro Amazonas também contribuiu para os comerciantes locais. José Antônio Lucas, mais conhecido como Zé do Frango, chegou na região em 1988 e ressalta que a Feira foi um divisor de águas na divulgação de seu negócio próprio. “A Feira trouxe melhoria para o comércio, pois muitas pessoas frequentam aqui. Se não fosse ela, não teríamos o movimento que temos hoje”, afirma contando que chega a vender 300 frangos assados por domingo, mas também já chegou a vender o dobro.
Já o morador da região Industrial há 60 anos, João Pedro Soares, acompanhou tudo desde o início e hoje conta orgulhoso que a Feira faz parte da tradição da família. “Todo domingo, nos reunimos em casa, temos seis filhos e sempre frequentamos muito a feira, principalmente minha esposa Maria. Dia de feira é dia de reunião, faz parte da nossa história, vimos tudo isso crescer”, disse.