Em seminário realizado na última terça-feira (1º/4), no Espaço do Encontro, na sede da Prefeitura, representantes de diversos setores da administração pública e da sociedade civil se reuniram para discutir estratégias de combate à insegurança alimentar no município. O evento, que celebrou o Dia Nacional da Saúde e da Nutrição (31/3), destacou a importância da integração entre as áreas para garantir o acesso a alimentos saudáveis e de qualidade para a população.
Durante o encontro, ocorreu visitação aos estandes de cada setor, que expuseram suas conquistas e dificuldades sobre o tema no dia a dia, seja junto ao usuário ou à família, importante alicerce para a continuidade das atividades realizadas no município quanto à segurança alimentar nutricional e agroecologia.
Para o secretário de Desenvolvimento Social, Trabalho e Segurança Alimentar, Marius Carvalho, o município enfrenta desafios diários quanto à segurança alimentar. “A troca de experiências é extremamente válida, haja vista os sucessos alcançados em cada área, com pessoas diversas. Por isso é necessário dialogar entre os setores e com a sociedade no intuito de avançarmos, cada vez mais, com uma política que não seja de um governo, mas que seja duradoura, visando a melhoria da qualidade de vida das pessoas”.
Já a subsecretária de Segurança Alimentar, Nutricional e Agroecologia, Cida Miranda, destacou que desde a Conferência de Segurança Alimentar, realizada em 2023, foi identificada a necessidade de estruturar um trabalho articulado e intersetorial, de forma a fortalecer e ampliar as ações já desenvolvidas.
“A alimentação saudável é um desafio muito grande, pois falamos não apenas da comida no prato, mas da qualidade dos alimentos que estamos consumindo e do acesso a esse direito”, afirmou.
Cida explicou que o trabalho em relação à segurança alimentar em Contagem começou com a participação da sociedade civil, e, hoje, 20 anos depois, o município possui um conselho atuante e muitas razões para comemorar. Apesar disso, segundo ela, ainda é preciso avançar na consolidação dessa política pública.
“Nós, que representamos o poder público municipal, assim como os governos estadual e federal, temos um papel decisivo, junto com a sociedade civil, de promover o direito à alimentação e isso precisa ser reforçado cada vez mais. Isso tem sido feito com a divulgação das ações e buscando ampliar o atendimento à população por meio da integração das ações com outras secretarias e outros órgãos públicos”, disse.
A subsecretária ressaltou, ainda, que a sociedade ainda convive com a fome, com a desigualdade, com a pobreza e com a insegurança alimentar. “É preciso que a população tenha consciência de que a alimentação de qualidade é um direito inegociável, inerente à dignidade humana”, afirmou.
Experiências e desafios
A nutricionista Emilly Marques ressaltou a experiência das unidades básicas de Saúde (UBSs) e de Pronto-Atendimento (UPAs) da cidade. “Temos demandas de doenças crônicas e o desafio de não apenas propor uma reeducação alimentar, mas mostrarmos, até visualmente, de forma lúdica, como isso é benéfico para a saúde. Seja com adulto ou criança, individualmente ou em grupo, trabalhamos de uma forma a buscar que aquele paciente possa ter uma vida melhor”, explicou ela, ressaltando algumas estratégias trabalhadas internamente como slides, jogos, brinquedos, fotos, para chamar a atenção, interação e uma resposta positiva dos pacientes.
Em relação aos desafios, um ponto foi quase unânime: a necessidade do envolvimento das famílias em todo o processo e a valorização dos grupos e ações coletivas.
A representante do Centro de Educação Infantil Irmão José Grosso, Elenita Andrea Pereira, contou que na instituição realizam uma série de ações internas, que vão desde a conscientização das crianças, passando pela participação delas no cultivo e colheita, até a comida feita com que elas mesmo produzem. “Nosso desafio e de várias outras instituições é fazer com que a família também faça parte de tudo isso. A segurança alimentar passa pelo ensino, pelo hábito, mas também pelo dia a dia. Com a ajuda de todos, certamente o trabalho sobre o tema e a saúde dos núcleos familiares ficam facilitados”, declarou.
Participaram do seminário representantes das secretarias de Saúde; Educação; Desenvolvimento Social, Trabalho e Segurança Alimentar; dos conselhos municipais de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Contagem (Comsan) e de Alimentação Escolar (CAE); e de organizações da sociedade civil.
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