Entre os dias 26 e 28 de novembro, Contagem participou do 13º Encontro de Subcomitês do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, realizado em Belo Horizonte. Representantes de várias regiões do estado acompanharam a programação, que uniu conversas, atividades em campo e apresentações técnicas. O objetivo foi aproximar os territórios e reforçar a importância do trabalho contínuo de cuidado com as águas.
Na quarta-feira (26/11), dando início aos trabalhos, o encontro foi realizado no Aquário da Bacia do Rio São Francisco, no Jardim Zoológico, em Belo Horizonte. Depois, a atividade continuou com a realização do Circuito Ambiental que passou por pontos estratégicos de Contagem e da capital. A ideia foi mostrar iniciativas que já estão em curso e fortalecer o diálogo entre os territórios.
Representando o Comitê da Bacia do Rio das Velhas e integrante do Subcomitê Ribeirão Onça, Bruno Guerra explicou que o encontro anual promovido pelo CBH Rio das Velhas tem um papel muito importante na articulação entre os territórios. Ele destacou que essa diversidade faz com que cada encontro seja único, já que coloca lado a lado realidades ambientais diferentes, criando um espaço de troca sobre o que cada região vem desenvolvendo em termos de gestão das águas. “O evento junta representantes de vários territórios para discutir o que cada região vem fazendo. É a primeira vez que acontece aqui na região da Pampulha, o que dá destaque ao trabalho local. Cada encontro traz um aprendizado diferente, e isso ajuda a fortalecer a gestão da bacia como um todo”, afirmou.
Contagem faz parte dos subcomitês do Ribeirão Arrudas e do Ribeirão Onça. Nos últimos anos, a superintendente de Políticas Socioambientais do município, Sirlene Almeida, esteve à frente da coordenação do Subcomitê do Onça. Durante esse período, um dos destaques foi a criação do Grupo de Mobilização e Educação Ambiental e Sanitária (GMEA) da Bacia da Pampulha em outubro do ano passado.
O grupo reúne representantes da Prefeitura de Belo Horizonte, Prefeitura de Contagem, Copasa, UFMG e sociedade civil. Sirlene falou que as ações seguem diretrizes do Programa de Educação Ambiental do Comitê do Rio das Velhas e também as de Contagem. A Sub-bacia do Córrego Bom Jesus foi definida como prioridade para 2025. “O GMEA trabalha a conscientização sobre o descarte correto de lixo e esgoto. Isso é essencial para proteger as águas que chegam à Lagoa da Pampulha. Lançamos o Circuito de Percepção Ambiental para levar as pessoas a conhecer a realidade da bacia. Visitamos nascentes, áreas de vegetação, locais com lixo e assoreamento, e falamos sobre como isso interfere na recuperação das águas. Compartilhar vivências fortalece Contagem como referência em educação ambiental”, explicou Sirlene.
Desde 2022, a Copasa executa o plano de despoluição da Lagoa da Pampulha. O investimento para a execução do plano ultrapassam R$150 milhões. O trabalho é desenvolvido em parceria com as prefeituras de Contagem e Belo Horizonte e prevê que, em até cinco anos, não haja mais lançamento de esgoto no local. Segundo a Copasa, cerca de 53% das quase 10 mil ligações necessárias já foram concluídas. A companhia informa ainda que mais de 99% da área da Bacia da Pampulha já possui rede de esgoto instalada, restando apenas a conexão por parte dos moradores.
O supervisor administrativo de mobilização social da companhia, Robson Cesário de Souza, falou sobre a importância das ações do GMEA para contribuir com o trabalho que vem sendo realizado na região nos últimos anos e para ajudar na conscientização dos moradores sobre a despoluição da lagoa. “A Copasa está no GMEA desde o começo. Isso ajuda a divulgar o Reviva Pampulha, que é um conjunto de obras e ações sociais e ambientais focadas na despoluição da lagoa. Nosso objetivo é garantir que esse espaço, que é um patrimônio da população, volte a ser usado da melhor forma. O trabalho do GMEA mostra que educação ambiental e mobilização social têm impacto direto na qualidade das águas que chegam à Lagoa da Pampulha.”, declarou.

Encontro pretendeu aproximar os territórios e reforçar a importância do trabalho contínuo de cuidado com as águas
Fotos: João Pedro Alcântara / PMC
Circuito Ambiental
Ao longo da tarde, um dos pontos visitados foi o Mirante Confisco. No local, os participantes tiveram uma visão panorâmica do território da bacia da Pampulha. Foi apresentado também um breve histórico do Programa de Recuperação e Desenvolvimento Ambiental da Bacia da Pampulha (Propam).
As trocas ao longo do encontro reforçaram a importância de integrar municípios, instituições e moradores. Entre os participantes estava Regina Lúcia Caminha Torres, que veio de Ravena para o 13º Encontro de Subcomitês e aproveitou o circuito cultural para conhecer iniciativas da RMBH. Psicóloga e psicanalista, ela atua com temas ambientais desde 2017 e destacou a relevância do trabalho coletivo, além de ressaltar a oportunidade de ampliar a experiência e o aprendizado ao longo do dia.
“Os subcomitês transformam pessoas e territórios. Eu não acredito em uma educação ambiental pronta ou imposta. Acredito na construção com as comunidades, que é o que os subcomitês fazem. Eu não conhecia esses lugares. Ver iniciativas simples, realizadas por moradores e reconhecidas, mostra o quanto podemos avançar”, afirmou.
O circuito foi finalizado na rua Três e Avenida A, no bairro Vale das Amendoeiras, onde uma iniciativa dos moradores locais vem chamando a atenção de todos que passam pelo local, o “Pomar na Rua”, criado pelo morador Alexandre da Silva Rodrigues.
Alexandre contou que o projeto começou de forma simples, sem grandes planos, apenas com o desejo de trazer mais natureza para a rua e ajudar na preservação do córrego que passa perto dali. Com o tempo, a iniciativa ganhou força entre os vizinhos, e hoje já são mais de 120 árvores frutíferas e de pequeno porte plantadas ao longo de duas ruas. Acerola, pitanga, graviola, pitomba, amora, jambo roxo e outras espécies fazem parte do cotidiano da vizinhança, que aproveita as frutas e também cuidam da natureza no dia a dia.
“Plantei umas árvores na porta de um amigo. A vizinhança perguntou o que eu estava fazendo. Expliquei, gostaram, e fomos ampliando. Isso melhora a qualidade de vida. Tem gente que não consegue comprar fruta sempre e pega aqui para fazer suco pros netos. É gratificante demais”, finalizou.
Nesta quinta e sexta-feira (27 e 28/11), a programação do 13º Encontro de Subcomitês do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas segue no Hotel Quality Pampulha, com apresentações das ações de educação ambiental desenvolvidas pelos subcomitês, debates em grupos de trabalho, oficinas e a atividade “AkauANA: um jogo de conexão com as águas”, promovida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
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