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Notícias
JUL
17
17 JUL 2026
DESENVOLVIMENTO SOCIAL
REGIONAL INDUSTRIAL
Aquece Contagem leva acolhimento às pessoas em situação de rua
Foto Noticia Principal Grande
Foto: João Pedro Alcântara / PMC
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Ação distribuiu cobertores, kits de inverno e alimentos no Industrial

Quando a temperatura cai, um simples cobertor se transforma em abrigo, proteção e cuidado. Na noite da última quarta-feira (15/7), o projeto “Aquece Contagem” levou esse acolhimento à região do Industrial, com a distribuição de cobertores, kits de inverno, como roupas, touca, luvas e meias, além de chocolate quente e lanches para pessoas em situação de rua. A ação, realizada por voluntários da administração pública durante o período de frio intenso, busca amenizar os efeitos das baixas temperaturas e promover dignidade a quem mais precisa.

Coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Segurança Alimentar, em parceria com as Administrações Regionais, a iniciativa vai além da entrega de agasalhos e alimentos: representa um gesto de solidariedade, empatia e amor. Durante a ação, as pessoas em situação de rua também foram cadastradas e receberam orientações sobre os serviços oferecidos pela rede socioassistencial do município. Ao término da mobilização, aqueles que manifestaram interesse foram encaminhados à Casa de Passagem, onde têm acesso a pernoite, alimentação e higiene.

De acordo com a gerente de Assistência Social da Administração Regional Industrial, Ana Black, que coordenou a ação, as abordagens noturnas são realizadas regularmente. No entanto, durante os períodos de frio mais intenso, toda a rede socioassistencial é mobilizada para reforçar o atendimento às pessoas em situação de rua. “Priorizamos esse público porque muitas dessas pessoas não conseguem se alimentar durante a noite. Por isso, levamos refeições e também agasalhos que são arrecadados pelas campanhas de doação promovidas pela gestão.”

Sobre a acolhida, Ana destacou que a ação busca garantir direitos e oferecer um atendimento humanizado. “É uma abordagem que leva dignidade, esperança e, principalmente, ajuda a aquecer essas pessoas em um período tão crítico. Sabemos que, durante o frio, o risco de mortalidade entre a população em situação de rua aumenta significativamente, e esse trabalho faz toda a diferença.” Ainda completou: “a Prefeitura está aqui para acolher, oferecer um atendimento humanizado e garantir o mínimo de dignidade a quem mais precisa. Esse trabalho é essencial.”

Carinho que aquece

Em situação de rua há mais de cinco anos, T.P.S. afirmou que o acompanhamento da equipe da Assistência Social tem sido fundamental para garantir acesso à saúde e fortalecer vínculos. Segundo ela, o apoio recebido possibilitou consultas médicas e outros atendimentos, além de transmitir a sensação de que não está sozinha.“A equipe já faz parte da nossa vida. A gente percebe que não está completamente abandonada, que tem alguém olhando por nós e querendo ajudar.”

Ela ainda ressaltou que “quando a pessoa entra no vício, acaba ficando presa naquele mundo e perde o convívio social. Infelizmente, por causa das atitudes de alguns, todos acabam sendo mal vistos. Nem todas as pessoas em situação de rua praticam crimes ou fazem mal a alguém. Quero mudar de vida, mas nem sempre é fácil. Muitas vezes surgem barreiras e a depressão faz a gente cair de novo. Por isso, pessoas que nos acolhem fazem tanta diferença. Elas nos dão atenção, dignidade e mostram que ainda existe esperança”, falou.

Já B.A.R.O está vivendo em situação de rua há cerca de seis meses. Para não expor a família ao sofrimento causado pela dependência química, ele decidiu deixar a casa onde vivia. Hoje, apesar das dificuldades, deseja reconstruir a própria história e reconhece a importância do apoio recebido pelos serviços de acolhimento. “Ninguém imagina que um dia vai passar por isso. Eu quero sair da rua, mas sinto vergonha de voltar para a minha família.”

“As equipes que nos atendem fazem um trabalho muito importante. Eles acolhem, orientam e dão suporte. Muita gente acha que quem está na rua está porque quer, mas cada pessoa tem uma história. Ninguém sabe o que passa na cabeça de quem vive essa realidade”, finalizou.

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Autor: repórter Sheila Lemes / edição: Vanessa Trotta
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