Após um mês repleto de encontros, trocas de experiências e construção coletiva, a primeira edição do "Julho das Pretas – Mulheres Negras: Memória, Resistência e Construção da Sociedade" chegou ao fim, deixando um marco essencial para a política de Assistência Social de Contagem. Promovida por meio do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a iniciativa consolidou espaços de formação, escuta e valorização do protagonismo feminino negro, reafirmando o compromisso do município com uma cidade mais justa, democrática e inclusiva.
Idealizado e organizado pelas servidoras da Assistência Social Andresa Cândida, Eliana Gonzaga e Josianne Mara, o projeto nasceu da necessidade de ampliar o debate sobre a pauta racial nas políticas públicas municipais. Mais do que uma programação pontual, a proposta foi criar pontes permanentes de reconhecimento e garantia de direitos, mobilizando trabalhadores do SUAS, usuários da rede, conselhos profissionais, movimentos sociais, representantes da OAB, gestores e lideranças comunitárias.
Participaram das discussões, a assistente social e consultora da ONU Migrações no Programa Profort SUAS, Adrielle Parreiras; a psicóloga clínica e conselheira do CRP-MG, Samantha Alves Pereira de Souza; a atriz e ativista da juventude, Jullya Silva; a professora, diretora do Sind-UTE Contagem e liderança quilombola, Jussara Mariano Duval; a psicóloga e subsecretária de Assistência Social de Contagem, Samantha Pacheco; a advogada e secretária municipal da Mulher e da Juventude, Camilla Marques; e a diretora de Políticas Públicas para a Juventude, Raquel Souza. O encerramento contou ainda com a presença da deputada estadual e ex-ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, que enriqueceu as reflexões sobre a importância da representatividade nos espaços de poder. Em sua reflexão, a parlamentar destacou a força da mobilização coletiva e o papel crucial dos mandatos e de lideranças negras na transformação social:
"Na Coalizão Negra, nós temos um pacto: o compromisso de que as pessoas que se candidatam e se propõem a atuar no parlamento trabalhem pela valorização da população negra em nossos territórios. Essa é a nossa grande missão e, também, a nossa maior alegria ao ver uma bancada preta no Congresso Nacional, nas Câmaras de Vereadores e de mulheres comprometidas com a nossa luta. Se reduzirmos a desigualdade para as mulheres negras no Brasil, reduzimos a desigualdade para todo o conjunto da sociedade. Uma cidade que cuida bem de suas crianças e de sua população idosa demonstra ter uma política de dignidade e humanidade capaz de abraçar a todos."
Sementes para o futuro
Com abordagens transversais sobre memória, resistência, bem-viver, direitos humanos e combate ao racismo estrutural, a programação reforçou que a igualdade racial não é pauta de um único mês, mas um compromisso diário. Ao fazer um balanço do evento, a servidora e uma das organizadoras, Andresa Cândida, destacou o caráter contínuo da ação. “Mais do que eventos, esperamos ter fortalecido uma agenda. Uma agenda que convida instituições, profissionais e a sociedade a assumirem, de forma coletiva, a responsabilidade pela promoção da igualdade racial. Se o Julho das Pretas deixar como legado a compreensão de que reconhecer o protagonismo das mulheres negras também é produzir justiça, então teremos dado um passo importante. Porque promover a igualdade racial não é responsabilidade de algumas pessoas. É um compromisso de todas e todos nós.”
A forte adesão do público marcou cada encontro, lotando salas, quadras e auditórios. O sucesso dessa estreia reforça a expectativa de expansão do projeto para os próximos anos, com o objetivo de alcançar todas as regiões de Contagem e consolidá-lo como uma política transversal e permanente do município.
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