O projeto Riatec X vem se consolidando como uma das principais iniciativas pedagógicas da Funec do Riacho, ao promover uma imersão prática em tecnologia, inovação e empreendedorismo. Integrado à preparação para a Mostra de Tecnologia, o projeto estimula os estudantes a desenvolverem soluções reais a partir de problemas identificados na sociedade, especialmente alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A presidente da Funec, Renata Laureano, relatou a importância do projeto como objeto de motivação para os alunos.
“A Riatec X é um exemplo de como a gente pode motivar, instigar, e promover a produção de boas ideias.
A partir destes questionamentos, de situações reais do cotidiano que têm a oportunidade
de ser pensada por jovens muito criativos e ligados à tecnologia,
o que traz para nós sempre é muito bons produtos”.
Presidente da Funec, Renata Laureano
A proposta nasceu a partir de uma experiência vivida por alunos e professores em um evento no Expominas, que apresentou uma metodologia voltada à criação de soluções tecnológicas. A partir disso, a equipe pedagógica adaptou o modelo à realidade da escola, estruturando o projeto como uma etapa inicial da Mostra de Tecnologia, que neste ano chegou à sua 18ª edição.
De acordo com o diretor da instituição, Luiz Henrique Dias Faria, o projeto foi construído de forma colaborativa, envolvendo coordenação e equipe pedagógica. A iniciativa permite que os estudantes desenvolvam competências essenciais para o mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que ampliam o olhar para problemas reais da sociedade.
“Quando eu me coloquei à disposição para assumir o cargo de diretor da escola,
a minha intenção era impactar de verdade a vida de quem está aqui dentro e fazer
com que isso saia para fora do portão da escola. Eu percebo os alunos passando
por uma imersão, desenvolvendo as habilidades que eles estão desenvolvendo.
Serão pessoas e profissionais muito mais qualificados no mercado. Então, o que
eu posso dizer é que eu estou conseguindo realizar um sonho profissional
por meio de projetos como esse”.
Diretor da instituição, Luiz Henrique Dias Faria
A dinâmica do Riatec X acontece em formato de imersão de três dias. Ao todo, 162 alunos foram divididos em 23 grupos e desafiados a criar soluções a partir das ODS. Durante esse período, eles vivenciam a metodologia “Zero to Hero” (do zero ao heroi), que propõe o desenvolvimento de ideias desde a concepção até a criação de um protótipo viável. O processo inclui etapas como identificação de problemas, análise de mercado, validação de soluções e construção de um produto mínimo viável.
Segundo o professor e coordenador Paulo Henrique Rodrigues, o projeto tem como base a lógica de criação de startups, preparando os alunos para compreender todo o ciclo de desenvolvimento de uma solução: “Eles aprendem desde a identificação de um problema até a construção de um produto que realmente tenha valor no mercado”.
Além do desenvolvimento técnico, o projeto também fortalece habilidades socioemocionais. Para o professor Ronaldo Brito, disciplinas como lógica de programação e banco de dados ganham ainda mais sentido quando aplicadas na prática. “É um projeto que muda a vida deles. Eles aprendem a trabalhar em equipe, a pensar em problemas reais e a buscar soluções”, afirmou.
Essa percepção é reforçada pelo professor Evandro Seleguini, que destacou o impacto do projeto na formação dos estudantes. “Eles chegam mais maduros para o mundo do trabalho. É uma prática que conecta diretamente com a realidade profissional, além de estimular a colaboração e troca entre os alunos”, explicou.
Entre os projetos desenvolvidos, destacaram-se propostas com sensibilidade social e inovação. Um dos grupos criou um óculos com câmera acoplada que identifica obstáculos e alerta pessoas com deficiência visual, promovendo mais autonomia e segurança no deslocamento. Outro projeto buscou combater a invisibilidade de pequenos produtores orgânicos por meio de um aplicativo que conecta diretamente produtores e consumidores, facilitando a comercialização e reduzindo desperdícios.
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Para a estudante Lívia Magalhães Silveira dos Santos, do 3º ano, a proposta surgiu da observação de problemas locais. “Percebemos que muitos produtores não conseguem vender tudo o que produzem e acabam tendo prejuízo. Pensamos em uma solução que aumente a visibilidade deles e facilite o acesso do consumidor”, contou.
Já os alunos Lavinia Zica Mendonça e Matheus Henrique Rodrigues apostaram na tecnologia como ferramenta de inclusão. O projeto desenvolvido pelo grupo utiliza inteligência artificial para analisar o ambiente e alertar sobre possíveis riscos, contribuindo para a mobilidade de pessoas com deficiência visual.
Apesar da ansiedade natural para as apresentações, os estudantes demonstram confiança no trabalho desenvolvido. Os projetos passam por uma banca avaliadora composta por professores de instituições de ensino superior, como PUC Minas, UNA e Dom Hélder, que contribuem com análises técnicas e orientações.
Nesta etapa inicial, não há definição de vencedores. O Riatec X funciona como uma pré-banca, permitindo que os alunos aprimorem suas ideias ao longo dos próximos meses. A versão final dos projetos será apresentada na Mostra de Tecnologia, quando os melhores trabalhos serão reconhecidos em categorias como inovação, impacto social e sustentabilidade.
Mais do que resultados, o projeto deixa um legado importante na formação dos estudantes. Ao estimular criatividade, senso crítico e capacidade de resolver problemas, o projeto cumpre seu principal objetivo: preparar jovens mais qualificados, conscientes e prontos para os desafios do futuro.









