As chuvas que atingiram Contagem nos últimos meses reforçam a importância de uma estrutura de drenagem capaz de armazenar grandes volumes de água e reduzir a velocidade com que ela chega aos córregos, canais e áreas urbanizadas. Os números registrados pela Defesa Civil de Contagem mostram que os temporais ficaram acima do padrão histórico: em setembro, foram acumulados 175,6 milímetros de chuva, contra 49,2 milímetros esperados para o mês pela normal climatológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), entre 1991 e 2020. O volume corresponde a 356,9% do esperado. Em outubro, até o período considerado, foram 133 milímetros, diante de uma média de 110,1 milímetros, o equivalente a 120,8% a mais que o previsto.
Mesmo diante de volumes expressivos, os efeitos das chuvas têm sido amenizados em diferentes regiões de Contagem por um conjunto de obras de drenagem e contenção. Entre as estruturas, que já cumprem papel importante, estão as bacias B2, na região do Riacho das Pedras, e B3, construída na área onde ficava a antiga Vila PTO. As duas funcionam como grandes reservatórios temporários, recebendo parte da água durante as chuvas mais intensas e liberando o volume de maneira controlada.
A B2 tem capacidade para armazenar aproximadamente 27,1 milhões de litros de água, volume equivalente a cerca de 12 piscinas olímpicas. A estrutura localizada na rua Rio Volga foi projetada justamente para reduzir a pressão sobre o sistema de drenagem da região do Riacho das Pedras. A obra recebeu recursos de diferentes entes e integra um conjunto de intervenções voltadas à redução dos históricos problemas de alagamentos do município.
Já a B3 tem uma capacidade ainda maior: aproximadamente 103 milhões de litros de água, o equivalente a cerca de 46 piscinas olímpicas. A estrutura foi construída onde anteriormente existia a Vila PTO, na região Industrial, e recebeu investimento de aproximadamente R$ 28 milhões, sendo R$ 21 milhões provenientes de recursos do acordo de reparação pelo rompimento da barragem de Brumadinho e R$ 7 milhões de contrapartida municipal. A função da bacia é reter a água, reduzir sua velocidade e regularizar a vazão, evitando que o volume avance de forma concentrada para ruas, imóveis e áreas comerciais.
Somadas, B2 e B3 podem representar uma capacidade de retenção de aproximadamente 130 milhões de litros, uma dimensão que ajuda a explicar por que estruturas desse tipo são estratégicas durante temporais. Em vez de toda a água precipitada seguir simultaneamente pelos canais e sistemas de drenagem, parte dela é temporariamente armazenada, reduzindo a pressão sobre a rede.

Bacia B3, região Industrial (Foto: João Pedro Alcântara/PMC) e B2, na rua Rio Volga, região Riacho das Pedras (Foto:Adelcio Ramos/PMC)
Bacia B4
Outra contenção importante é a B4, localizada na antiga Vila Itaú, na Cidade Industrial. A estrutura terá capacidade aproximada de 378 milhões de litros, volume superior ao da B3, e o investimento estimado para sua implantação é de R$ 74 milhões. Mesmo antes da conclusão integral, a bacia já vem contribuindo para a retenção das águas da chuva na região.
A estrutura da bacia de contenção propriamente dita já opera integralmente, ou seja, já tem a capacidade de conter os 378 milhões de litros para a qual foi projetada. Ocorre que o sistema de drenagem do seu entorno opera parcialmente, justamente porque uma parte do sistema ainda está em obras e, consequentemente, não chega na bacia a quantidade para a qual foi projetada.
Atualmente, a Prefeitura mantém obras e serviços complementares para concluir a B4. Um edital publicado no fim de setembro prevê a contratação para a conclusão da infraestrutura complementar da bacia. A expectativa é que a conclusão integral avance dentro do cronograma previsto para 2027, enquanto sua capacidade parcial já contribui para diminuir a pressão sobre o sistema durante os períodos de chuva.
A atuação, porém, não se limita às bacias B2, B3 e B4. “Contagem vem adotando uma estratégia que combina reservatórios de contenção, obras de macrodrenagem, drenagem de ruas e avenidas e intervenções em canais e córregos”, destacou o coordenador das Obras de Drenagem e Bacias de Contenção de Contagem, Pedro Paulo Ferreira.
A Prefeitura estima cerca de R$ 1,5 bilhão em investimentos em obras relacionadas à infraestrutura e à redução dos impactos das chuvas, no prazo de 10 anos. O objetivo é atacar o problema em diferentes pontos da cidade, evitando que a água simplesmente seja transferida de uma região para outra.
Essa visão mais ampla também está sendo consolidada no Plano Diretor de Drenagem Urbana e Manejo das Águas Pluviais de Contagem (PDDUMAP). O documento está sendo elaborado para mapear cursos d'água, redes de drenagem, áreas de risco e bacias hidrográficas e estabelecer diretrizes para intervenções nas próximas duas décadas. A previsão atual é de que o plano fique pronto em 2027. A proposta é fazer com que as futuras obras sejam planejadas de maneira integrada, levando em consideração toda a dinâmica das águas no território municipal.
Em um cenário de chuvas cada vez mais intensas e concentradas, os reservatórios de contenção passam a ser uma espécie de "pulmão" do sistema de drenagem urbano. Os volumes registrados em setembro e outubro mostram a dimensão do desafio: quando a precipitação supera significativamente a média histórica, estruturas capazes de reter milhões de litros fazem diferença para evitar que toda essa água chegue ao mesmo tempo às áreas mais vulneráveis. As bacias já entregues e as que estão em implantação, portanto, fazem parte de uma política que busca reduzir os impactos imediatos e, ao mesmo tempo, preparar Contagem para eventos climáticos mais severos no futuro.

Bacia de contenção B4, parcialmente construída. Fotos: João Pedro Alcântara/PMC









