O período chuvoso de 2025 e o início de 2026 terminaram sem registro de desabrigados ou óbitos em Contagem, segundo o balanço mais recente da Defesa Civil. O resultado, que também se repete nos anos anteriores, está associado ao conjunto de ações preventivas adotadas pelo município ao longo dos últimos anos para reduzir os impactos das chuvas, ampliar a capacidade de resposta a ocorrências e aumentar a segurança da população.
Entre as ações, em execução e já executadas, estão a construção de muros de contenção e bacias de detenção; o trabalho de manutenção urbana que, anualmente, faz a limpeza e o desassoreamento de córregos e a desobstrução de bocas de lobo. Também fazem parte da estratégia municipal, os investimentos na política de habitação, qualificação das equipes da Defesa Civil, aprimoramento das ferramentas de monitoramento climático, mobilização das comunidades, além de campanhas educativas e outras ações de prevenção.

Investimentos em obras, prevenção e monitoramento para reduzir riscos durante as chuvas. Fotos: Fotos: Janine Moraes (2) e Luci Sallum/PMC (1 e 3)
Planejamento para períodos de chuva
Atualmente, Contagem conta com dois importantes instrumentos que colaboram para nortear o planejamento das ações preventivas e emergenciais durante os períodos chuvosos: o Plano de Contingência do Período Chuvoso (Plancon) e o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR). Os documentos são atualizados e revisados periodicamente, de acordo com as necessidades do município.
O Plancon estabelece as diretrizes para a atuação integrada dos órgãos municipais e define procedimentos de preparação, resposta e recuperação diante de situações de emergência. Já o PMRR é responsável por identificar e mapear áreas suscetíveis a diferentes tipos de riscos, como deslizamentos de terra, inundações e enxurradas, além de outros eventos capazes de ameaçar moradores e a infraestrutura urbana.
“A partir das informações produzidas pelos dois instrumentos, o município consegue direcionar de forma mais precisa o planejamento de intervenções e investimentos. Hoje, há 175 áreas de risco geológico e hidrológico mapeadas no município, distribuídas em 77 áreas identificadas com risco médio (R2), risco alto (R3) e risco muito alto (R4). Portanto, sem dados, organização e gestão, a cidade fica à mercê das intempéries ”, explica o secretário de Defesa Social, Ivayr Soalheiro.
Para ele, o planejamento é considerado fundamental para que as cidades possam se antecipar aos eventos climáticos e reduzir os danos provocados por situações extremas. “A adoção de medidas preventivas permite identificar áreas vulneráveis, estabelecer protocolos de atuação e direcionar recursos para intervenções, como obras de engenharia e melhorias na drenagem, capazes de diminuir os riscos à população”, salientou o secretário.
Monitoramento climático
Entre as medidas mais recentes adotadas pelo município está a implantação do Observatório do Clima e da Resiliência, estrutura que reúne diferentes ferramentas para o acompanhamento das condições meteorológicas e dos fenômenos climáticos. O sistema integra informações de estações meteorológicas automáticas, previsão do tempo, acompanhamento de queimadas e de áreas suscetíveis a focos de incêndio, visualização de radar meteorológico para monitoramento das precipitações e acompanhamento da ocorrência de raios.
“Neste ano, como o país está sendo afetado pelo E Niño, é esperado para o Sudeste ondas de calor e um grande volume de chuva em curto período de tempo. O que certamente exigirá maior atenção da Defesa Civil. Por esse motivo, o monitoramento feito a partir do Observatório do Clima e Resiliência será essencial. A partir dele conseguiremos acompanhar a situação em cada região, em cada ponto específico. Conseguiremos monitorar quanto está chovendo, em quanto tempo e em que velocidade o nível d' água está subindo e qual que é o momento seguro para intervir e fazer, por exemplo, o fechamento da área, evitando que a população trafegue ou se desloque em área de risco”, destacou a geógrafa da Defesa Civil de Contagem, Letícia Freitas.
Ainda, segundo a geógrafa, é possível fazer, diariamente, a previsão do tempo, com um nível de confiança muito alto. “Com base nessas informações obtidas pelo Observatório do Clima, a Defesa Civil conseguirá acompanhar a evolução das condições climáticas e emitir alertas à população, especialmente diante da previsão de eventos de maior severidade, colaborando para que a população se antecipe e consiga proteger a si, ao seu patrimônio e, também, cuidar da saúde”.
Outra ferramenta de prevenção são as placas de sinalização instaladas em áreas sujeitas a alagamentos. As placas orientam os motoristas sobre os riscos e buscam evitar que veículos trafeguem por locais inundados durante temporais.
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Prevenção: placas, alertas e previsões contribuem para ampliar a capacidade de resposta a ocorrências. Fotos: Janine Moraes (1 e 2) e Ricardo Lima (3)
A mobilização social é outro componente importante da estratégia de prevenção adotada pelo município. O trabalho é realizado, entre outras ações, por meio dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs) e de iniciativas desenvolvidas junto à comunidade escolar, como o projeto Agente Mirim.
Atualmente, Contagem possui 38 Nupdecs. Os grupos atuam em cooperação com a Defesa Civil e fortalecem a capacidade de resposta das comunidades diante de situações de risco.Os participantes recebem alertas e orientações, colaboram com a identificação de áreas críticas, rotas de fuga e pontos de encontro seguros e auxiliam na orientação dos moradores em situações de emergência, especialmente durante períodos de chuvas intensas.
Além das ações de prevenção, a Prefeitura mantém equipes preparadas para atuar em situações de emergência. Ao perceber qualquer sinal de risco, o morador deve procurar um local seguro e acionar a Defesa Civil de Contagem pelo telefone 199.
Durante temporais, motoristas não devem tentar atravessar áreas inundadas. Pedestres também devem evitar regiões alagadas e procurar locais elevados até que o nível da água diminua. Moradores de áreas com encostas, taludes ou histórico de deslizamentos devem permanecer atentos aos sinais de movimentação do solo. Caso seja identificada qualquer alteração, é fundamental deixar o imóvel imediatamente e acionar a Defesa Civil. A população também tem papel importante na prevenção. O descarte irregular de lixo nas ruas, córregos e bueiros deve ser evitado, já que o acúmulo de resíduos pode provocar entupimentos e contribuir para alagamentos.
Com planejamento, monitoramento, investimentos em infraestrutura e participação da comunidade, Contagem busca ampliar sua capacidade de prevenção e resposta diante dos eventos climáticos, reduzindo riscos e protegendo a vida.









