“Enquanto houver pessoas trans ocupando espaços, construindo pontes e abrindo caminhos, Rhany Mercês permanece presente”. Essas foram as palavras da presidenta do Coletivo TansViva, Evellyn Loren, durante o Prêmio Rhany Mercês – Resistir, Lutar e Transformar, realizado nessa quarta-feira (29/1), em parceria com a Prefeitura de Contagem, em alusão ao Dia Nacional da Visibilidade Trans.
O evento reuniu dezenas de pessoas, entre ativistas, representantes do poder público e integrantes da sociedade civil, com apresentações artísticas e momentos marcantes. Foram homenageadas e entregue o prêmio a dez pessoas importantes na causa.
O município, de acordo com o Secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Marcelo Lino, tem conquistado avanços importantes na promoção dos direitos da população LGBTQIAPN+, como nas áreas de assistência social, saúde, lazer, entre outras.
“Este evento tem como objetivo dar visibilidade e garantir vez
e voz à população trans, evidenciando que essas pessoas
reivindicam o direito de estar onde quiserem. Para além
dos estigmas e dos preconceitos, é uma população que quer
ocupar os espaços da cidade e acessar as políticas públicas.
E é exatamente isso que a Prefeitura de Contagem vem fazendo:
assegurando direitos e fortalecendo a participação da população trans”.
Secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Marcelo Lino
O Prêmio Rhany Mercês nasce com o propósito de reconhecer, valorizar e dar visibilidade a pessoas, coletivos e iniciativas que atuam na defesa dos direitos da população trans e travesti, fortalecendo uma cultura de respeito, dignidade e cidadania. Para a presidenta do Coletivo TansViva, Evellyn Loren, a voz da homenageada ecoava por quem não era ouvido. “Sua presença abria caminhos onde antes só havia silêncio. Ela acolhia, orientava, protegia. Para muitas pessoas trans, Rhany foi referência, foi abrigo, foi família”, afirmou.
Ainda de acordo com a Evellyn, “hoje, quando falamos de Rhany Mercês, lembramos de uma mulher que transformou dor em luta, exclusão em organização, e invisibilidade em presença”. “Também falamos de alguém que nos ensinou que resistir também pode ser dançar, sorrir, criar, celebrar a vida, mesmo em meio às batalhas. Cada homenageada e homenageado desta noite carrega um pouco dessa chama: de quem acredita que nenhuma vida trans é descartável, de quem luta para que nossas existências sejam respeitadas, protegidas e celebradas”, completou.
Sobre o Dia da Visibilidade Trans, a superintendente de Defesa dos Direitos Humanos e Diversidade Sexual de Contagem, Karol Maia, afirmou que é um momento de afirmação de vidas, de trajetórias e de direitos.
“É um dia para lembrar que pessoas trans e travestis existem,
resistem e constroem essa cidade todos os dias, apesar das inúmeras
violências e desigualdades que ainda enfrentam. Enquanto poder público,
nosso compromisso é seguir avançando em políticas públicas que
garantam acesso à saúde, educação, trabalho, segurança e respeito
à identidade de gênero. Celebrar a visibilidade é importante,
mas transformá-la em direitos concretos é fundamental”.
Superintendente de Defesa dos Direitos Humanos e Diversidade Sexual de Contagem
Entre as homenageadas está Tuty Veloso Coura, 27, que é militante antimanicomial e artista independente, na qual já foi analista social e psicóloga do Programa “Mais Direitos Humanos”, em Contagem, sempre estabelecendo parcerias, articulações e escuta com os movimentos sociais LGBTQIAPN+ do município.
“Rhany foi uma pessoa muito importante na minha trajetória como militante. Receber um prêmio com o nome dela é manter ainda mais forte e brilhante a chama revolucionária que ela produzia dentro de cada pessoa que a conheceu. Para mim é gratificante ser premiada aqui em Contagem, pois é ser reconhecida pelo que ajudei a ser construído coletivamente no território, principalmente porque foi aqui que tive a oportunidade de florescer profissionalmente e onde até hoje carrego comigo afeto, lembrança, amizades, compromisso ético-político e companhias de luta”.
Também receberam o prêmio: Poli Dias; Ângela Maria; vereadora Moara Saboia; Vanderleia Reis de Assis; Casa Espírita de Oxóssi Trindade de Lei; Oliver Michael; Cristal Lopes; Michele Loren; Tahyla Magalhães.
Dia da Visibilidade Trans
A data 29 de janeiro foi escolhida como o Dia Nacional da Visibilidade Trans em 2004, após a realização de um ato nacional para o lançamento da campanha “Travesti e Respeito”. A data marca a importância de discussões e reflexões sobre diversidade sexual e de gênero, além da luta pelo fim da violência e transfobia.
Desde 2002, a lei nº 3.506 estabelece penalidades a estabelecimentos que discriminem pessoas em razão de sua orientação sexual. Em 2016, o decreto nº 637 regulamentou essa legislação no âmbito do Poder Executivo, assegurando às pessoas transexuais e travestis o direito ao uso do nome social na administração pública municipal.
Coletivo TransViva
É um grupo atuante em Minas Gerais, com foco na defesa da causa trans e travesti. Presente especialmente em Contagem e Belo Horizonte, o coletivo desenvolve ações que promovem acolhimento, visibilidade e fortalecimento da comunidade LGBTQIA+. Entre suas iniciativas estão a realização de eventos, debates, palestras sobre desafios e conquistas da população trans, rodas de conversa para a construção coletiva de pautas e ações de arrecadação de recursos destinados a pessoas trans em situação de vulnerabilidade social.
Quem foi Rhany Mercês
Foi uma mulher trans, negra, periférica, artista, educadora social e uma das grandes vozes da luta por direitos da população LGBTQIA+ em Minas Gerais e no Brasil. Moradora do Morro das Pedras, em Belo Horizonte, ela transformou sua própria vivência em força política. Cada passo seu era um ato de enfrentamento ao racismo, à transfobia e às desigualdades sociais.
Rhany atuou na construção de políticas públicas, foi coordenadora do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (Fonatrans) em Minas Gerais, lutando por inclusão social, dignidade e justiça. Mas sua resistência não vinha apenas dos espaços institucionais, mas também da arte, da cultura, do afeto e da comunidade.
Ela dançou, produziu cultura, esteve nos palcos, nas ruas, no carnaval, nas paradas, nos encontros. Durante sua trajetória, foi estagiária na Diretoria de Políticas para a População LGBT da Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania de Belo Horizonte, conciliando essa experiência com a graduação em Serviço Social. Foi coroada Miss Trans Plus Size BH, Miss Minas Gerais Trans Plus Size e Miss Bahia Trans Plus Size.
Ela faleceu em maio de 2021, vítima da COVID-19, deixando um legado de coragem, resistência e compromisso com a defesa dos direitos humanos. O prêmio que leva seu nome reafirma a importância de manter viva sua memória e de seguir fortalecendo a luta por uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva.
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