Durante as férias escolares, período marcado por descanso e diversão, também é um motivo de alerta. Especialistas em saúde e militares do Corpo de Bombeiros da cidade reforçam a importância da atenção aos jovens quanto à prevenção aos acidentes. Situações como queimaduras, fraturas, atropelamentos e afogamentos estão entre as ocorrências mais comuns nessa época, especialmente entre crianças e adolescentes que passam mais tempo em casa, nas ruas ou em locais de lazer, muitas vezes sem a supervisão adequada.
No Centro Materno Infantil de Contagem (CMI), a equipe médica já percebeu o aumento da demanda nas emergências pediátricas durante o recesso escolar. Levantamento da unidade mostra que mais da metade dos casos registrados ao longo do ano, cerca de 52%, ocorrem, justamente, nesse período, o que acende um sinal de alerta para pais e responsáveis.
A equipe do CMI reforça a importância de os cuidadores atentarem para medidas simples que protegem e garantem segurança. A médica pediatra, Marcela Barbosa, referência técnica do CMI, destacou que a prevenção começa dentro de casa.
“A maioria dos acidentes que atendemos poderia ser evitada
com pequenas atitudes no dia a dia, como colocar barreiras
em escadas, proteger tomadas e manter líquidos quentes
fora do alcance das crianças”.
Médica pediatra, Marcela Barbosa, referência técnica do CMI
O sargento Azevedo, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, informou que acidentes domésticos são atendidos diariamente pela corporação, sendo mais comuns os casos de afogamentos, quedas, intoxicações e queimaduras. Segundo ele, “nosso lar deveria ser um ambiente seguro, mas é justamente essa falsa sensação de proteção que contribui para acidentes, muitos dos quais poderiam ser evitados. Cerca de 70% desses acidentes ocorrem na cozinha, espaço com muitos riscos, como fogo, facas e eletrodomésticos ligados à tomada”, orientou.
Um exemplo que serve de alerta para os riscos durante este período é o caso do pequeno Miguel Felipe, de 10 anos, que quebrou a tíbia e a fíbula (ossos da canela da perna) enquanto brincava. Ele caiu após tropeçar caminhando pela rua, próximo da sua casa. O pai, Stefane Egg, o acompanhou no CMI, onde o menino foi internado e passou por cirurgia. “Uma brincadeira aparentemente inofensiva pode acabar mal. É muito importante que nós pais estejamos sempre atentos. Criança é uma caixinha de surpresa. Às vezes, a gente acha que não é nada, mas tem perigo. Graças a Deus deu tudo certo, ele fez a cirurgia ontem e hoje já está sendo liberado”, relatou.
Para evitar que momentos de lazer se transformem em situações de risco, a enfermeira do CMI, Raiany França, orienta para que os pais redobrem a atenção principalmente com inseticidas e produtos de limpeza, pois estes produtos podem ser confundidos com alimentos. “Já atendemos casos de intoxicação por ingestão de naftalina, que a criança achou que era bala. Também tivemos uma situação em que a criança bebeu água sanitária pensando que era refrigerante. Muitas vezes, produtos químicos são colocados em frascos de bebida, o que pode confundir os pequenos e causar acidentes graves. Cerca de três a cada 10 atendimentos estão relacionados a esse tipo de acidente”, ressaltou.
A enfermeira também destacou que afogamentos durante as férias de julho quase não aparecem devido as baixas temperaturas, mas no período do mês de dezembro e janeiro são mais recorrentes.
Atitudes como orientar as crianças sobre regras de segurança, manter ambientes seguros e supervisionar brincadeiras são medidas fundamentais para garantir férias tranquilas e saudáveis. As férias escolares devem ser sinônimo de alegria e descanso, mas isso só será possível se o cuidado e a responsabilidade estiverem sempre presentes. A prevenção ainda é o melhor caminho para manter nossas crianças protegidas.









