Mulheres de diferentes idades e trajetórias colocam a mão na massa, desenvolvem habilidades técnicas e começam a viver na prática as novas possibilidades para a vida profissional com as aulas do Programa “Mulheres Mil”. Depois das aulas oferecidas pela Fundação de Ensino de Contagem (Funec), com conteúdos voltados ao desenvolvimento humano, direitos das mulheres e preparação para o mundo do trabalho, elas iniciaram as aulas práticas voltadas para as suas áreas de formação.
O Mulheres Mil oferece cursos gratuitos voltados exclusivamente para mulheres, com foco na qualificação profissional, ampliação da escolaridade, autonomia financeira e inserção no mercado de trabalho. Ele é realizado em parceria com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do governo federal. Nesta primeira etapa, 142 alunas estão participando das formações em áreas como Recursos Humanos, Fotografia, Libras, Maquiagem, Assistente Administrativo, Cuidadora de Idosos e Editora de Projetos Visuais Gráficos.
A iniciativa atende prioritariamente mulheres em situação de vulnerabilidade social e oferece formação gratuita em áreas com potencial de inserção no mercado de trabalho. Ao combinar desenvolvimento humano, qualificação técnica e atividades práticas, o programa cria oportunidades para que as participantes ampliem conhecimentos, fortaleçam a autoestima e construam novos projetos de vida. Após o encerramento da parte teórica, as alunas passam a aplicar na prática os conhecimentos adquiridos ao longo das aulas. A presidente da Funec, Renata Laureano, afirmou que a etapa prática dos cursos é a confirmação de que a política pública está alcançando seus objetivos.
“O programa Mulheres Mil é um programa maravilhoso que pode fazer a diferença na vida das mulheres em situação de vulnerabilidade e das mulheres de maneira geral, porque possibilita a formação dessas mulheres. É nesse momento que percebemos a formação profissional ganhando vida na rotina do curso e trazendo a experiência necessária para que elas saiam preparadas para o mundo do trabalho, para suas carreiras e para se tornarem um diferencial na área que escolherem atuar.”
Presidente da Funec, Renata Laureano.
Renata também ressaltou o papel das próprias participantes para o sucesso da iniciativa. “É uma alegria muito grande para a Fundação e para o município poder ver o programa efetivamente acontecendo e acompanhar o aprendizado fluindo. Todas estão de parabéns, porque, mesmo com toda a estrutura oferecida, é a dedicação de cada uma que faz o programa acontecer e perdurar”, completou.
Formação Humana e Prática
Segundo o diretor de Ensino e Coordenador geral do Pronatec, Reinaldo Nogueira, a proposta do programa vai além da capacitação técnica. “O Mulheres Mil trabalha a formação humana e a preparação para o mundo do trabalho. O objetivo é ampliar oportunidades, fortalecer a autonomia feminina e contribuir para a inserção dessas mulheres no mercado. A formação prática é o momento em que elas conseguem concretizar o aprendizado e desenvolver habilidades que serão utilizadas na vida profissional”, explicou.
Reinaldo destaca que as atividades práticas são desenvolvidas após uma etapa inicial dedicada à formação cidadã e ao fortalecimento dos direitos das mulheres. “A proposta não é apenas ensinar uma profissão. Também buscamos ampliar o acesso à educação, fortalecer o conhecimento sobre direitos e reduzir desigualdades. Muitas participantes não tiveram a oportunidade de estudar no momento adequado e encontram aqui uma nova chance de crescimento pessoal e profissional”, afirmou.
Entre as alunas que participam das atividades práticas está Larissa Ribeiro Cassiano, moradora do Petrolândia e estudante do curso de Editora de Projetos Visuais Gráficos. Feirante e integrante da Economia Solidária de Contagem, ela sempre teve ligação com a arte, a criação visual e a comunicação, mas encontrou no Mulheres Mil a oportunidade de aprimorar conhecimentos e transformar habilidades em possibilidades concretas de trabalho. “O curso abriu um leque enorme para nós. Além da qualificação profissional, tivemos apoio, ajuda de custo e uma estrutura pensada para as mulheres. É uma oportunidade que faz diferença para quem quer crescer e conquistar novos espaços”, contou.
Nas aulas práticas, Larissa já percebe mudanças na forma como observa e desenvolve seu trabalho. “Estou aprendendo coisas que mudaram meu olhar. Hoje vejo cores, fontes, posicionamento visual e detalhes que antes passavam despercebidos. Já estou aplicando isso no meu dia a dia, tanto na minha barraca quanto nos trabalhos de papelaria personalizada que faço. Uma simples explicação em sala já me ajuda a desenvolver atividades que antes eu tinha muita dificuldade para executar”, disse.
No curso de Assistente de Recursos Humanos, a moradora do bairro Tropical, Wanda Almeida, encontrou muito mais do que uma oportunidade de qualificação profissional. Desempregada há três anos, ela conheceu o programa pela internet e decidiu se inscrever em busca de uma nova perspectiva. “Eu achei que seria apenas um curso de RH, mas encontrei muito mais do que isso. Aprendemos sobre direitos humanos, legislação, proteção às mulheres e questões que muitas vezes desconhecemos. Foi uma experiência de crescimento pessoal muito grande”, relatou.
Para Wanda, os conteúdos trabalhados ao longo da formação contribuíram para fortalecer a confiança e abrir novos horizontes. “Esse curso representa o início de um novo ciclo na minha vida. Aprendi aspectos técnicos da profissão, mas também passei a enxergar possibilidades de atuação e defesa dos direitos das mulheres. Foi uma experiência transformadora.”
A estudante de Recursos Humanos Agatha Cristina, 24, também destaca o impacto da formação. Com experiência anterior como auxiliar administrativa, ela procurou o curso para aprofundar conhecimentos e ampliar as oportunidades profissionais. “O curso está me ajudando a abrir a mente para novas possibilidades. As atividades práticas confirmaram que essa é a área que quero seguir. Além do aprendizado técnico, tivemos momentos de troca e acolhimento que fizeram diferença para todas nós”, afirmou.
Segundo ela, os trabalhos desenvolvidos em grupo criaram um ambiente de confiança e fortalecimento coletivo. “Tivemos atividades sobre saúde mental, vivências pessoais e temas que marcaram muito a turma. Foi um espaço onde aprendemos sobre a profissão, mas também sobre nós mesmas.”
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