No último sábado (13), a OAB Contagem abriu as portas para o “Café com Inclusão”, evento que reuniu representantes do poder público e da população de Contagem para uma roda de conversa sobre o autismo. O evento, que contou também com o apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, do Grupo Amais e da Clínica Trate, promoveu um debate sobre a inclusão e as dificuldades em assegurar direitos aos autistas na sociedade.
Presente ao evento, o secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Marcelo Lino, destacou como o município tem promovido a inclusão nos últimos anos e a importância da sociedade neste processo.
“Aqui, em Contagem, nós começamos esse processo de inclusão das pessoas com deficiência num movimento que juntou e que uniu poder público e a sociedade civil. Portanto, ao longo de 22 anos, desde o primeiro governo da ex-prefeita Marília Campos, foi implementado um projeto de inclusão das pessoas com deficiência. Partimos quase de um nada, do ponto de vista do poder público, para construir o que hoje temos. Um esforço muito grande de todos, tanto da sociedade civil quanto do poder público”.
Programação
A programação contou com a palestra “Autismo: Conhecer para Acolher”, ministrada por Daniel do Bem. Daniel é vereador na cidade de Ipatinga, no Vale do Aço, pai atípico e psicólogo. Ele dividiu com os presentes sobre as suas vivências enquanto pai, profissional e parlamentar.
“Há quase dez anos, eu saio de casa para falar sobre autismo. Minha trajetória se iniciou com o diagnóstico do meu filho, Augusto, quando tinha 2 anos de idade. De lá para cá eu conheci todo esse mundo, essa causa enorme, com tantas necessidades pouco atendidas por políticas públicas, por inclusão, por essa aceitação da sociedade. Nós temos dificuldades em vários setores, tanto no ambiente escolar, como na sociedade, nas festas e, também, na parte das intervenções ao autismo. E a gente vem lutando com isso. Tanto é que, diante das dificuldades que nós encontramos com a causa autista na minha cidade, que não tinha nenhuma porta aberta, nós ingressamos na política”, afirmou.
Houve também o lançamento do livro “Ser Humano Autista”, de autoria de Eliseu Acácio, que também palestrou no evento e compartilhou sobre sua rotina como pai atípico. Natural de Brasília de Minas, Eliseu contou sua trajetória de trinta anos como pai e padrasto de pessoas com autismo. De acordo com ele, o livro fala sobre a convivência com o autismo na prática, com menos teoria.
O Grupo Amais Contagem leva, desde 2013, uma maior inclusão e apoio a familiares e pessoas com autismo no município. A presidente, Josy Silva, é mãe de um jovem de 20, autista nível 3 de suporte e falou sobre os objetivos do Amais.
“A nossa luta hoje é para falar e dar voz à pessoa autista aqui no nosso município. Esse ano, o grupo Amais está trabalhando muito com o tema “Depois da infância, o autismo continua e os direitos também” e esse é o nosso papel, meu papel enquanto mãe. Meu filho tem 20 anos. Hoje ele não é amparado conforme as suas necessidades. Hoje ele só fica dentro de casa, ele não tem acesso à educação, porque ele não consegue dar sequência nas aulas e na terapia. Então, a gente está trabalhando para que ele tenha acesso às terapias. E o papel do Amais é esse, dar voz e lutar pelos direitos das pessoas com autismo”.
Jeferson França, pai atípico e guarda civil no município de Contagem, destacou a importância do evento para conscientizar e dividir experiências. “O Café com Inclusão é um evento muito importante para nós, porque é o momento de conscientizar, é o momento de consolidar esse tipo de ação, para que a gente possa fortalecer as políticas públicas em nosso município. Este tipo de evento deveria acontecer mais vezes, porque é uma forma de informar e conscientizar o cidadão de Contagem, de que existem pessoas com deficiência, com autismo e com algum tipo de transtorno… é algo que está do nosso lado”, declarou.
“A gente tem que levantar essa temática e mostrar o que a família atípica sofre, o que a família atípica passa nesse cenário, principalmente, dentro do município. A gente precisa de muito apoio, de muita ajuda e, principalmente, de amor porque as nossas crianças crescem e continuam precisando da empatia do outro” concluiu.
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