Na quarta-feira (10/6), a Superintendência de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida promoveu na Estação Juventude a formação “E agora, como atender? Autismo, direitos e situações do cotidiano”. A iniciativa teve como foco atender as equipes da Casa dos Direitos Humanos e da Estação Juventude, qualificando os profissionais que trabalham diretamente com a população.
A iniciativa da Secretaria de Municipal de Direitos Humanos surgiu após o aumento das demandas ligadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) nos serviços do município e contou com palestra da psicóloga e mãe de uma criança com TEA, Michelle Paula. Segundo ela, a informação transforma o atendimento, reduz preconceitos e fortalece a garantia de direitos.
“Quando um profissional entende que nem toda deficiência é visível e que cada pessoa com autismo possui necessidades singulares, ele passa a acolher de forma mais humana e efetiva. Esse é um passo importante para construirmos uma sociedade mais inclusiva, onde as pessoas sejam respeitadas em suas diferenças e tenham seus direitos assegurados”, afirmou.
Outra motivação da ação foi a necessidade de ampliação dos conhecimentos técnicos ligados aos direitos, acolhimento e encaminhamentos adequados, visto que a demanda por atendimento aos adultos com autismo também tem se tornado mais recorrente no dia a dia das equipes.
De acordo com o assistente social da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, Alisson Ramos, a intenção não foi apenas a de informar e capacitar, mas também refletir sobre as barreiras e comportamentos que podem dificultar o acesso de muitos cidadãos aos serviços públicos. Para dinamizar a atividade foram utilizados exemplos de situações reais vividas por profissionais e os presentes puderam esclarecer todas suas dúvidas sobre o assunto com uma profissional especialista no assunto.
“Momentos como esse fortalecem a capacidade dos servidores de oferecer um atendimento mais acolhedor, humanizado e respeitoso às singularidades de cada cidadão. Além de promover aprendizado e reflexão, a capacitação reforça o compromisso da administração pública com a inclusão, a garantia de direitos e a construção de serviços cada vez mais acessíveis e preparados para atender a diversidade da população”, afirmou Alisson Ramos.
Suporte
A capacitação auxiliou também a reforçar a compreensão de que o autismo não possui uma única forma de manifestação e que muitas das características do espectro não são visíveis. É importante lembrar que há três níveis de suporte do autismo, sendo que, nos casos mais leves, o espectro não se torna necessariamente visível. Portanto, assegurar direitos não pode estar atrelado somente a como a deficiência se manifesta. Garantir escuta qualificada, acolhimento respeitoso e orientações corretas é parte fundamental da promoção da cidadania.
Outro ponto importante destacado na capacitação é de que o número de pessoas adultas com autismo aumentou consideravelmente nos últimos anos. O que demonstra que boa parte dessas pessoas chega à fase adulta sem diagnósticos ou com diagnósticos tardios, podendo apresentar ansiedade, sobrecarga sensorial, dificuldades sociais, etc.
A formação também reafirmou princípios fundamentais da inclusão: respeito às diferenças, combate ao capacitismo, valorização da dignidade humana e garantia do direito de todas as pessoas serem reconhecidas e atendidas em suas necessidades. Trata-se de um passo importante para a construção de serviços públicos cada vez mais acessíveis, acolhedores e comprometidos com a efetivação dos direitos.
Por meio de metodologias participativas, estudos de caso e discussões sobre situações concretas de atendimento, a atividade fortalece a atuação das equipes e contribui para que a Casa dos Direitos Humanos, o Estação Juventude e outras instituições sejam, cada vez mais, espaços de acolhimento, respeito e promoção da cidadania para todas as pessoas.
A Lei Berenice Piana (lei federal nº 12.764/2012) instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esta regulamentação foi um marco histórico para os autistas, visto que equiparou o TEA à outras deficiências, garantindo direitos e inclusão social e à políticas públicas.
Dentre os principais direitos assegurados, estão o atendimento prioritário a pessoas com TEA, promoção de acessibilidade e maior inclusão social, proteção contra a discriminação por conta da deficiência e acesso à educação inclusiva, que prevê matrícula na rede regular com direito a um acompanhante.
Onde encontrar os serviços:
Av. José Faria da Rocha, 1016 - Eldorado - Contagem
Telefone: (31) 3615-0550
Funcionamento: segunda a sexta-feira - das 8h às 17h
Av. João César de Oliveira, 174 - JK - Contagem
Telefone: (31) 3150-9016
Funcionamento: segunda a sexta-feira - das 8h às 20h









