O atendimento começa como tantos outros: visita dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), avaliação clínica, orientações de saúde e acompanhamento da rotina do paciente. Porém, surpreende ao introduzir um novo componente; menos técnico, mais humano. É que, agora, em algumas visitas domiciliares realizadas pela equipe de Saúde da Família (ESF) da Unidade Básica de Saúde (UBS) Inconfidentes, o som do violino passou a fazer parte da assistência prestada aos pacientes.
A iniciativa surgiu durante o estágio de acadêmicos de enfermagem da Faculdade Una Contagem, que atuam na unidade desde fevereiro. Com o apoio da ESF e dos ACS, a estudante Fernanda Monteiro, que toca violino, começou a se apresentar para alguns pacientes atendidos em casa, sob supervisão do professor e preceptor de enfermagem Denis Douglas.
A primeira apresentação aconteceu de forma espontânea, durante uma visita domiciliar. A reação positiva da paciente e da família incentivou a equipe a repetir a experiência em outras ocasiões. Desde então, a música tem acompanhado algumas visitas, proporcionando momentos diferentes na rotina de pessoas que, muitas vezes, passam a maior parte do tempo dentro de casa. “A Fernanda se ofereceu para tocar violino para uma paciente que acompanhamos. Eu autorizei e foi um momento muito emocionante. A paciente gostou, a família também, e percebemos que a música poderia contribuir para o cuidado de outras pessoas. A música toca lugares que, muitas vezes, as mãos não alcançam”, relata Denis.
Segundo ele, a experiência dialoga com sua trajetória profissional na área da saúde mental, onde já acompanhava atividades relacionadas à musicoterapia. “A gente sabe da importância da música para o bem-estar dos pacientes. Mas percebemos que esse benefício não se restringe às pessoas em sofrimento mental. A música pode trazer conforto para qualquer pessoa que esteja enfrentando uma doença ou uma situação de fragilidade”, disse.

O uso do violino transforma a dor em conforto emocional. Fotos: Fábio Silva/PMC
Fernanda Monteiro conta que a proposta levou em consideração a realidade de pacientes com dificuldades de locomoção, que têm poucas oportunidades de participar de atividades culturais e de lazer. “Quando conhecemos a dona Maria, pensamos em levar um momento diferente para ela. Sabíamos que era uma paciente que passava a maior parte do tempo em casa e quisemos proporcionar um pouco de alegria e conforto durante a visita”, ressaltou.
A acadêmica de enfermagem Carolina Limotyrakis, que também faz parte da equipe, explicou que a iniciativa teve origem em uma experiência anterior realizada em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI). “Nós já tínhamos visto como a música despertava emoções e boas lembranças nos idosos. Quando visitamos a dona Maria, percebemos que poderíamos proporcionar essa experiência também para ela. Então, escolhemos músicas que fazem parte da sua vivência e da sua fé, e a reação foi muito positiva.”
Para a paciente dona Maria de Fátima, que já recebeu a apresentação três vezes, a experiência foi marcante. “Isso traz uma paz muito boa. Fecho os olhos e lembro de coisas boas”, contou. A turma de acadêmicos permanece na UBS Inconfidentes até o final deste mês. Durante o período de estágio, os estudantes participam das atividades desenvolvidas pela equipe de Saúde da Família, incluindo os atendimentos realizados no território.









