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MAI
17
17 MAI 2026
DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA
Marcha contra o racismo e a intolerância religiosa reuniu centenas de pessoas
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Mais de mil estudantes da rede municipal de ensino de Contagem participaram, neste sábado (16/5), da 12ª Marcha de Enfrentamento ao Racismo e à Intolerância Religiosa. Com o tema “Por uma Contagem Antirracista”, a ação reuniu comunidade escolar, movimentos sociais e representantes de diferentes expressões culturais. O objetivo foi promover mais reflexão e incentivar ações concretas na construção de uma sociedade igual e sem preconceitos.
A iniciativa, instituída pela lei nº 4.717/2015, integra o Plano Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Plamir). A concentração ocorreu na praça Paulo Pinheiro Chagas e seguiu pela avenida João César de Oliveira até a praça da Glória. Durante o trajeto, estudantes levaram cartazes, mensagens e manifestações culturais que dialogam com o tema da marcha. 
O prefeito Ricardo Faria falou sobre o papel dos estudantes na ampliação do debate sobre o tema. Segundo ele, a participação nas ruas contribui para levar a discussão para além do ambiente escolar e fortalecer a construção coletiva de políticas públicas. O prefeito também ressaltou que iniciativas como essa ajudam a reforçar valores no dia a dia da cidade.
“É fundamental promover iniciativas como essa e ocupar as ruas com os estudantes para ampliar o debate e fortalecer a conscientização da população. Queremos construir uma cidade mais igual, sem preconceito e sem racismo, avançando na construção de uma sociedade mais justa e humana”
Ricardo Faria
Prefeito de Contagem
Este mês, a Prefeitura está promovendo uma série de atividades coordenadas pela Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania voltadas ao debate racial e à valorização da diversidade.Os debates, rodas de conversa, atividades culturais e encontros com a população estão sendo realizados para fortalecer as políticas públicas, ampliar o acesso à informação e combate a preconceitos. 
O secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Marcelo Lino, explicou que esse trabalho é contínuo e precisa envolver integração entre setores como saúde, educação e assistência social, entre outros. Segundo ele, o enfrentamento ao racismo exige ações permanentes e estruturadas.  
“Estamos realizando essas ações que ampliam o acesso ao debate racial em diferentes territórios, com atividades que estimulam a participação e fortalecem a construção de políticas públicas mais alinhadas à realidade da população. Esse trabalho, permite consolidar medidas permanentes voltadas à equidade racial e ao enfrentamento ao racismo de forma articulada”.
Marcelo Lino, secretário de Direitos Humanos e Cidadania.  


Entre os participantes, os estudantes destacaram o significado da marcha como espaço de expressão e aprendizado. A estudante Sophia Carvalho, da Funec Industrial, participou da marcha e falou sobre o significado do ato para essa juventude. Ela também destacou a relação entre memória, resistência e o papel das novas gerações no enfrentamento ao racismo, além da  importância de manter viva a história de quem lutou antes.
“Participar deste momento hoje é representar aqueles que foram calados e silenciados e que lutaram antes de nós. Essa marcha é um ato de luta e para ressignificar essas histórias para que a nossa sociedade avance e enfrente o racismo e a intolerância religiosa todos os dias”, disse.
Pais e responsáveis acompanharam o evento. Como o caso de Walterli José de Jesus, que foi acompanhar a filha, estudante da Funec, durante a marcha. Para ele, o enfrentamento ao racismo começa dentro de casa e o exemplo familiar faz diferença no processo educativo das crianças e adolescentes. Disse ainda sobre a importância de incentivar os jovens a refletirem sobre o tema. 
“Eu vim acompanhar minha filha porque acredito que essa é uma questão educativa que começa dentro da família. Precisamos ensinar que todos são iguais e levar esse aprendizado para todos os espaços. É necessário que eles cresçam com esse entendimento e levem isso para a vida”, afirmou.
Além do enfrentamento ao racismo, a marcha também chama atenção para a intolerância religiosa. A iniciativa abre espaço para manifestações de fé e identidade e fortalece o reconhecimento dessas tradições. Neste ano, participaram representantes de comunidades quilombolas e de religiões de matriz africana, como comunidade quilombola Família Marianos, da Irmandade dos Carolinos, da Tenda de Umbanda Recanto de Nanã, do Ilê Axé Igbá Ogum e O Além dos Orixás. 
Integrante da Associação Beneficente "O Além dos Orixás", Sandra Conde Corgozinho, falou sobre a necessidade de visibilidade e respeito às religiões de matriz africana. Também apontou que a participação no evento é uma forma de resistência. 
“Muitas vezes somos silenciados e estar aqui é afirmar nossa fé e combater a intolerância. Participamos desde o início da marcha e seguimos firmes nessa luta por respeito e diversidade”, disse.
A Secretaria de Educação, em conjunto com a Funec, foi responsável pela mobilização das unidades de ensino. Foram garantidos transporte, alimentação e estrutura para a participação dos estudantes. Durante a marcha, o secretário Lindomar Diamantino e a presidente da Funec, Renata Laureano, destacaram sobre o reforço do tema de forma contínua nas escolas e da promoção de experiências fora da sala de aula, ampliando o aprendizado dos alunos.
A marcha que este ano completa 12 anos é organizada pela Superintendência de Promoção da Igualdade Racial em parceria com o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir).  Ao longo do percurso de 2 km, os participantes compartilham experiências e reforçam o respeito às diferenças. 
O superintendente de Promoção da Igualdade Racial, João Pio, afirmou que a marcha tem papel político e pedagógico ao ocupar as ruas e dar visibilidade ao tema. Ele também destacou a participação de estudantes e comunidades tradicionais como parte desse processo e falou que para a construção de uma cidade sem racismo é preciso de ações coletivas como essa. 
“Estamos hoje aqui para trazer uma mensagem da importância de construção de uma Contagem antirracista. A marcha materializa a perspectiva de enfrentamento à desigualdade racial. É um momento pedagógico onde todos aprendem sobre o valor da diversidade e da construção de uma sociedade democrática e sem racismo”.
O evento contou ainda com apresentações culturais, incluindo capoeira e blocos de carnaval. 
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Autor: Repórter Milla Silva // Revisão e Edição: Cristiane Oliveira
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