Sensibilizada com a situação enfrentada pela população da Zona da Mata, em especial de Juiz de Fora e Ubá, a Prefeitura de Contagem entregou 300 colchões e 200 cobertores. A ação teve como principal objetivo oferecer mais dignidade e condições mínimas de conforto às pessoas que perderam suas casas ou precisaram deixar seus imóveis, após as fortes chuvas que atingiram a região nas últimas semanas.
Coordenada pela Subsecretaria de Defesa Civil, em parceria com duas empresas privadas, que auxiliaram no transporte, a iniciativa integra o esforço conjunto de ajuda humanitária diante da situação de vulnerabilidade enfrentada pelas famílias que ficaram desalojadas e desabrigadas em decorrência de danos à infraestrutura urbana, como queda de árvores, rompimento de redes elétricas e prejuízos a escolas e postos de saúde; alagamentos e enxurradas, com transbordamento de córregos e rios; e deslizamentos de terra, sobretudo em encostas ocupadas irregularmente, entre outros.
“A Prefeitura de Contagem não poderia ficar indiferente diante da dor vivida pelas famílias de Juiz de Fora e Ubá. Desde os primeiros momentos, acompanhamos a situação com atenção e sensibilidade, entendendo que, em situações como essa, a união entre os municípios faz toda a diferença. É uma ação concreta que demonstra nosso compromisso em agir com rapidez, responsabilidade e, acima de tudo, solidariedade”, destacou o secretário municipal de Defesa Social de Contagem, Ivayr Soalheiro.
A tragédia que atingiu Juiz de Fora e Ubá despertou uma onda de comoção em todo o país, mobilizando instituições públicas, organizações e cidadãos comuns em uma corrente de solidariedade. Diante das perdas humanas e dos danos materiais, o Brasil se sensibilizou com a dor das famílias afetadas, demonstrando empatia e disposição para ajudar.
O subsecretário municipal de Defesa Civil, José Rodrigues, destacou a importância da atuação conjunta entre as equipes envolvidas na operação. Segundo ele, a integração entre os municípios, os voluntários e os demais parceiros fortalece a capacidade de resposta diante de situações de emergência, tornando as ações mais ágeis e eficazes. Ele enfatizou ainda que, em momentos de crise, a cooperação e a solidariedade fazem toda a diferença para minimizar os impactos causados pelos desastres. “A mobilização articulada é essencial para oferecer uma resposta rápida e organizada. A entrega dos colchões representa uma ação emergencial voltada a assegurar mais dignidade, conforto e condições adequadas às famílias atingidas, que agora enfrentam o desafio da reconstrução”, afirmou.
“A gente perdeu muita coisa com a chuva, foi um momento de muito medo e incerteza. Ver que outras cidades se mobilizaram para nos ajudar renova nossa esperança. Esses colchões e cobertores chegaram em boa hora e vão fazer muita diferença para a minha família e para tantos vizinhos que estão recomeçando do zero. Só temos a agradecer por essa solidariedade”, disse a auxiliar de serviços gerais, moradora de Ubá, Maria Aparecida Souza.
O motorista de aplicativo, morador de Juiz de Fora, Carlos Henrique Martins, se sentiu confortado ao saber que há pessoas se compadecendo da situação e ajudando. “Quando a água baixou e vimos o tamanho do prejuízo, parecia impossível seguir em frente. O apoio que recebemos, especialmente com os colchões e cobertores, trouxe um pouco de alento em meio a tanta dificuldade. É reconfortante saber que não estamos sozinhos”, comentou.
Equipe da Defesa Civil de Contagem levou para atingidos desalojados e desabrigados de Juiz de Fora e Ubá colchões e cobertores - Fotos: equipe Defesa Civil/PMC
As manifestações de apoio, as doações e as ações coordenadas entre municípios reforçam que, em momentos de calamidade, o sentimento coletivo de união e compaixão se sobrepõe às distâncias geográficas, fortalecendo a esperança e o espírito de reconstrução.
“A experiência que vivi em Ubá e Juiz de Fora me mostrou que, em situações como essa, o trabalho deixa de ser apenas uma função técnica e passa a ser uma verdadeira missão. Seguirei sempre à disposição, não apenas por Ubá e Juiz de Fora, mas por todas as cidades que enfrentam situações de calamidade e necessitam de ajuda, com destaque para Contagem, onde exerço minha função e cultivo diariamente a esperança de dias melhores”, finalizou o agente da Defesa Civil de Contagem, Marco Túlio.
Chuvas na Zona da Mata
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), fevereiro de 2026 foi um dos meses mais chuvosos dos últimos anos em Minas Gerais. Em Juiz de Fora, entre os dias 22 e 24, o acumulado chegou a 229,9 milímetros, volume superior à média histórica mensal, de 170,3 milímetros.
No município, foram contabilizadas 65 mortes, entre elas 15 crianças e adolescentes. Três corpos ainda passam por exames periciais para posterior identificação e liberação às famílias. No sábado (28/2), o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais localizou o corpo da última pessoa considerada desaparecida na cidade. Ao todo, 51 pessoas foram resgatadas com vida em Juiz de Fora.
As chuvas também deixaram um grande número de desalojados e desabrigados. Mais de 500 pessoas seguem em abrigos públicos, enquanto outras 8.000 estão temporariamente acolhidas por parentes ou amigos.
Já em Ubá, foram registradas sete mortes, todas de adultos, com os corpos já liberados aos familiares. As equipes continuam mobilizadas à procura de uma pessoa ainda desaparecida. No município, 145 moradores foram resgatados. Há 732 desalojados e 26 desabrigados. Embora a intensidade da chuva tenha diminuído no fim de semana, as autoridades mantêm o isolamento das áreas atingidas.









