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FEV
03
03 FEV 2026
EDUCAÇÃO
FUNEC
Ano letivo da Funec inicia com encontro, escuta e compromisso com a educação
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O encontro, que marca o início dos trabalhos em 2026, foi pensado como um momento de acolhimento, formação e diálogo entre a gestão municipal, a direção da Funec e o corpo docente que constrói diariamente a educação pública da cidade

Reencontros, expectativas renovadas e um clima de pertencimento foram os sentimentos de cerca de 240 profissionais, entre professores, pedagogos, diretores, vice-diretores e coordenadores, das dez unidades da Fundação de Ensino de Contagem (Funec), que se reuniram, na noite dessa segunda-feira (2/2), para a abertura oficial do ano letivo. O encontro teve um significado especial, porque a Funec trouxe à Contagem o professor Carlos Mathias Motta, da Universidade Federal Fluminense (UFF), para falar aos educadores e promover uma reflexão sobre avaliação educacional e inclusão, temas importantes para o planejamento pedagógico de 2026.

Na prática, a palestra se tornou um ambiente de troca, escuta e construção coletiva, em que o verbo “esperançar”, foi citado várias vezes e tornou-se fio condutor das reflexões que vão nortear o trabalho na instituição, que, neste ano, vai atender aproximadamente 3.000 estudantes distribuídos nas modalidades de ensino médio regular e técnico integrado ao ensino médio. 

A prefeita Marília Campos, reconheceu o trabalho histórico dos educadores da Funec. Para ela, a existência e a relevância da fundação ao longo dos anos são resultado direto do compromisso dos professores. “A Funec conseguiu sobreviver todo esse tempo, porque teve o trabalho dos educadores reconhecido pela cidade. Se não fosse isso, ela já teria sido extinta”, destacou, lembrando que encontra ex-alunos da Funec ocupando posições importantes em empresas e órgãos públicos, o que demonstra o impacto social da instituição.

Ao abordar o futuro da instituição, Marília trouxe uma reflexão política sobre o lugar da instituição na cidade. Segundo ela, o desafio atual não é apenas manter a fundação funcionando, mas repensar seu papel em um cenário educacional e econômico em transformação, sem perder sua identidade histórica e seu vínculo com Contagem. Marília detalhou que a Funec já começa a trilhar caminhos de sustentabilidade financeira ao prestar serviços qualificados para a própria Prefeitura de Contagem. “Nós estamos inovando com a prestação de serviços que a Funec faz para a própria administração. Isso significa arrecadação e, portanto, a sustentação para que ela possa crescer, assumir novos papéis e continuar sendo referência”, explicou a Prefeita.

Marília também fez um chamado direto aos professores para participar desse processo de reinvenção institucional, pois, segundo ela, não se trata de uma decisão que possa ser tomada apenas pela gestão municipal, mas de um projeto coletivo construído com quem está diariamente nas salas de aula.

“Esse desafio não é só da prefeita, não é só da presidenta da Funec.
É de vocês, que são educadores. Tomem conta, apontem soluções, tragam ideias”,
disse a prefeita, reforçando que pretende manter canais permanentes de diálogo
com professores e diretores ao longo do ano.

A presidenta da Funec, Renata Laureano, destacou que o momento era tanto de celebração quanto de alinhamento institucional. Segundo ela, a abertura do ano letivo precisa ir além de discursos protocolares e se transformar em espaço real de escuta. “Esse encontro é um momento de acolhimento e também de alinhamento. É ouvindo vocês que conseguimos construir políticas públicas mais eficientes, mais humanas e mais conectadas com a realidade da sala de aula”, afirmou Renata, ressaltando que a Funec é feita por pessoas e que cada educador contribui diretamente para a identidade e a qualidade da instituição.

Ela também trouxe para o centro do debate o conceito de “esperançar”, inspirado na pedagogia crítica, reforçando que a esperança, quando se torna ação, se converte em prática educativa transformadora. “Esperançar é acreditar, agir e transformar, mesmo diante dos desafios”, disse.

O vice-prefeito Ricardo Faria reforçou o compromisso com o fortalecimento da Funec dentro da estrutura municipal e destacou o papel estratégico da fundação na formação de jovens e na qualificação profissional. “A Funec é uma referência na educação do município. Nossos jovens saem daqui muito preparados, com garantia de emprego, e isso nos enche de orgulho”, ressaltou. 

Esperançar

O professor Carlos Mathias Motta, durante sua palestra, trouxe uma abordagem sensível e crítica sobre avaliação educacional. Em vez de tratar o tema apenas sob a ótica técnica, ele enfatizou a dimensão humana e relacional do processo educativo. “Educação não é apenas conteúdo, currículo ou planejamento. Educação é relação, escuta e presença”, disse. Para ele, avaliar vai muito além de atribuir notas, envolve compreender o percurso do estudante, suas dificuldades, potenciais e contextos.

Carlos relacionou diretamente a ideia de avaliação inclusiva ao verbo “esperançar”. Segundo ele, esperançar é um ato político e pedagógico. “Não é esperar parado. É agir todos os dias, acreditando no estudante e construindo caminhos mesmo quando eles ainda não existem”, afirmou, defendendo práticas avaliativas mais justas, participativas e formativas.

Para alguns o evento representou uma mudança de tom na relação entre gestão e sala de aula. O diretor e professor de Física, Luiz Henrique Dias de Faria, da unidade Riacho, lembrou que o ano de 2026 começou com uma energia coletiva que ultrapassa o discurso e se traduz em motivação para o trabalho cotidiano em sala de aula. “Sentíamos falta desse nosso momento, a Funec tem contextos muito específicos, histórias diferentes, desafios próprios. Estar aqui juntos, reencontrar colegas, ser ouvido e visto pela gestão nos dá ânimo para começar o ano”. 

O professor de Filosofia Leonardo do Nascimento, da unidade Ressaca, disse que o tema da palestra foi um alinhamento com o papel social da educação. Para ele, discutir avaliação e inclusão não é apenas uma questão pedagógica, mas também política e cidadã. “Quando o professor é valorizado, o aluno aprende mais e melhor. Nosso trabalho não é só transmitir conteúdo, é formar jovens críticos, capazes de ler o mundo e participar da democracia. O verbo ‘esperançar’ nos tira da passividade e nos coloca em movimento”, ressaltou.

Com 30 anos de docência, a professora de língua portuguesa e redação na unidade Centec, Lucineide Silvério, destacou que a Funec tem recebido cada vez mais estudantes que precisam de inclusão e necessidades específicas, o que demanda formação continuada e sensibilidade pedagógica. “A inclusão precisa ser prática, não só discurso ela precisa ser vivida na sala de aula, no planejamento, na avaliação e na relação com o estudante”, afirmou, ao mesmo tempo em que elogiou o olhar humano da gestão municipal.

Lucineide falou ainda sobre o seu desejo para de 2026, guiado por esperança ativa, cuidado com os alunos e relações mais humanas dentro da escola. “Queremos estudantes que não apenas cumpram regras, mas que tenham vontade de aprender, de conviver, de construir laços e de se posicionar no mundo. A escola é um pedaço da sociedade, e é aqui que muitos começam a descobrir quem são e quem querem ser”.

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Autor: repórter Wendell Rafael / Edição e revisão: Ana Paula Figueiredo
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