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JUN
19
19 JUN 2026
CULTURA
Contagem celebra o cinema e destaca talentos do audiovisual
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Produções locais ganham espaço por meio de editais de fomento e ajudam a consolidar o município como referência no audiovisual mineiro

Celebrado em 19 de junho, o Dia do Cinema Brasileiro é uma oportunidade para reconhecer a importância do audiovisual como expressão artística, instrumento de formação cultural e atividade econômica capaz de gerar trabalho, renda e desenvolvimento. Em Contagem, a data também evidencia o crescimento do setor e os resultados alcançados por produtores, cineastas e realizadores locais impulsionados por políticas públicas de incentivo à cultura.

O cinema brasileiro vive um momento de renovação e reconhecimento. A retomada de políticas públicas de incentivo, o crescimento do mercado audiovisual, a conquista de premiações internacionais e o surgimento de novas produções de destaque reforçam a potência do setor e inspiram artistas, produtores e realizadores em todo o país.

A subsecretária de Cultura, Aniele Leão, destacou que o audiovisual tem se consolidado como uma das linguagens artísticas mais dinâmicas da cidade.

“Contagem vive um momento muito importante para o audiovisual. Temos produtores, cineastas, técnicos,
coletivos e agentes culturais que desenvolvem trabalhos de grande qualidade e ajudam a fortalecer
esse ecossistema criativo. Os investimentos realizados por meio dos editais de cultura são fundamentais
para valorizar essas produções, estimular novas conexões e ampliar o acesso da população ao cinema”.


Subsecretária de Cultura, Aniele Leão

Para a coordenadora e curadora do Cineclube Contagem, Mônica Alves, a valorização do cinema brasileiro também passa pela formação de público e pela criação de espaços permanentes de acesso à cultura audiovisual. 

“O Cineclube Contagem é um importante espaço de formação de público, acesso à cultura e valorização
do cinema brasileiro. Mais do que exibir filmes, o projeto promove encontros, reflexões e diálogos
entre realizadores e espectadores, fortalecendo a produção audiovisual e ampliando o acesso
da população às diferentes narrativas do nosso cinema, em especial, do contagense”.


Coordenadora e curadora do Cineclube Contagem, Mônica Alves

Dia do Cinema Brasileiro e o bom momento do audiovisual

O Dia do Cinema Brasileiro faz referência às imagens registradas em 1898 por Afonso Segreto, considerado um dos pioneiros da atividade cinematográfica no país. Desde então, o cinema nacional construiu uma trajetória marcada pela diversidade de narrativas, pela riqueza cultural e pela capacidade de retratar diferentes realidades brasileiras.

Mais de um século depois, o audiovisual brasileiro vive um dos momentos mais promissores de sua história recente. A retomada de políticas públicas de incentivo, o fortalecimento da produção independente e a crescente presença do país nos principais festivais internacionais demonstram a força criativa do setor.

Nos últimos anos, o cinema brasileiro voltou a ocupar posição de destaque no cenário mundial. Em 2025, o filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional, um marco histórico para a cinematografia nacional. Já O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, tornou-se outro símbolo desse momento ao conquistar o Globo de Ouro e alcançar cinco indicações ao Oscar, ampliando ainda mais a visibilidade do audiovisual brasileiro no exterior.

Esse reconhecimento internacional reforça o potencial do cinema nacional não apenas como expressão artística, mas também como importante atividade econômica e instrumento de preservação da memória, da identidade e da diversidade cultural do país. Em Contagem, esse cenário inspira uma nova geração de realizadores e fortalece iniciativas voltadas à produção, formação e difusão audiovisual, contribuindo para o crescimento contínuo do setor no município.

Fundo Municipal de Incentivo à Cultura e outros editais impulsionam produções locais

O fortalecimento do audiovisual contagense passa pelo investimento público realizado por meio do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FMIC). Entre 2024 e 2025, foram destinados cerca de R$ 400 mil para projetos audiovisuais em diferentes linguagens, contemplando a produção de documentários, videoclipes, curtas-metragens, obras experimentais e ações de formação. Mais do que financiar produções, os mecanismos de fomento ajudam a movimentar a economia criativa, gerar trabalho para profissionais do setor e ampliar a circulação das obras produzidas no município.

No edital Audiovisual 2025, oito projetos receberam apoio, entre eles o curta-metragem João Dourado, do produtor Clério Dornell Will Júnior, de 26 anos. Para o realizador, os investimentos públicos são fundamentais para garantir que as produções saiam do papel e alcancem novos públicos, fortalecendo toda a cadeia produtiva do cinema local e consolidando Contagem como uma referência na produção audiovisual mineira.

“É importante que as pessoas tenham consciência de que o Fundo é essencial. Toda arte que vemos no dia a dia
é realizada por profissionais que desenvolvem um trabalho muito grande para conceber aquilo que estamos assistindo.
É um recurso investido que também retorna para a sociedade. No caso do cinema, Contagem já é reconhecida
como um polo audiovisual, com filmes que alcançam reconhecimento nacional e internacional. É muito bonito
ver curtas-metragens produzidos com recursos do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura circulando por festivais no Brasil
e no exterior, além de cineclubes e diversos espaços de exibição. Isso é muito importante”.


Produtor cultural, Clério Dornell Will Júnior

Entre os destaques recentes da produção contagense está o reconhecimento nacional do cineasta Affonso Uchôa, que teve o curta-metragem Disciplina premiado com o Prêmio da Crítica no Festival Olhar de Cinema. Com trajetória marcada por obras como A Vizinhança do Tigre, Arábia e Sete Anos em Maio, o diretor levou para as telas histórias e personagens das periferias brasileiras, ajudando a projetar Contagem no cenário cinematográfico nacional e internacional.

Assim como Uchôa, Maurílio Martins também é referência do audiovisual mineiro. Cineasta e integrante da produtora Filmes de Plástico, é responsável por obras reconhecidas em festivais nacionais e internacionais. Recentemente, o diretor lançou o longa-metragem O Último Episódio com exibição em todo o país.

A contagense Karen Suzane, 34 anos, é diretora formada em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Em 2018, dirigiu o curta-metragem A Mulher que Eu Era, exibido e premiado em diversos festivais. Também realizou a websérie documental DNA Gastronômico (2020) e a série documental Negro Muro (2023). O longa-metragem Quatro Meninas marca sua estreia na direção de longas.

Ao longo de sua trajetória recente, a diretora acumula seis projetos contemplados por mecanismos públicos de fomento do município de Contagem, entre eles quatro produções audiovisuais, um seminário e o desenvolvimento de roteiro de longa-metragem, viabilizados por editais do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FMIC) e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab). Sua trajetória ilustra como os investimentos públicos têm contribuído para fortalecer carreiras, estimular a produção local e ampliar a presença do audiovisual contagense em diferentes espaços de exibição e formação.

Para Karen, os editais representam muito mais do que recursos financeiros: são instrumentos que garantem a continuidade da produção cultural e o fortalecimento de toda a cadeia criativa do município. 

“Essas políticas públicas são fundamentais para a continuidade da produção audiovisual local. O incentivo permite
que projetos saiam do papel, fortalece a cadeia produtiva do setor e cria oportunidades para que realizadores,
técnicos e artistas possam desenvolver seu trabalho com qualidade e alcance. É um investimento que gera conhecimento,
movimenta a economia criativa e contribui para a formação cultural da cidade.”


Cineasta Karen Suzane

Autor: repórter Pablo Abranches / Edição: João Cavalcanti
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