A 33ª Gincana de Contagem chegou ao fim neste domingo (30/8) deixando a certeza de ser muito mais do que uma competição. A Gincana é uma tradição que atravessa gerações, constrói memórias e mantém viva uma das manifestações culturais mais queridas da cidade. O encerramento, realizado no Sambódromo de Contagem, reuniu gincaneiros, famílias e moradores em uma grande celebração marcada por música, descontração e, principalmente, emoção. A programação integrou o projeto “Carnaval o Ano Todo”, aproximando a tradição da Gincana da força cultural dos blocos carnavalescos.
As atrações culturais também ajudaram a transformar o encerramento em uma grande festa. O público acompanhou as apresentações do bloco Os Metralhas e do Volta Belchior, que contou com a participação da filha do cantor e emocionou o público ao relembrar canções que se tornaram ícones na trajetória do artista. A noite teve ainda o show do Samba da Vera, que recebeu como convidado especial o cantor Renegado, reunindo diferentes ritmos e gerações em uma celebração à cultura e à identidade de Contagem.
Durante a festa, o prefeito Ricardo Faria anunciou uma importante novidade para o futuro da competição. A Gincana de Contagem deverá contar, a partir de 2027, com recursos do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FMIC), por meio de edital da Secretaria Municipal de Cultura.
“No ano que vem nós vamos ter recurso para o Fundo Municipal de Cultura, por meio de edital da Secretaria de Cultura.
Não é só uma premiação. Assim como fazemos no Carnaval de Contagem, faremos também para os nossos gincaneiros.
Quero registrar publicamente esse compromisso com cada um de vocês, para que isso permaneça vivo aqui na nossa cidade.”Prefeito Ricardo Faria
O prefeito também ressaltou o trabalho coletivo das equipes e o papel dos próprios gincaneiros na construção da edição deste ano. “Em 2027 nós vamos fazer um evento ainda maior, para que a gente possa cada vez mais resgatar essa cultura que é muito forte e muito viva aqui em Contagem”.
Campeões da 33ª edição
Após semanas de dedicação, provas e muita mobilização, as equipes vencedoras da 33ª Gincana de Contagem foram anunciadas durante o encerramento. O primeiro lugar ficou com Os Metralhas, que receberam R$ 5 mil. A equipe NEBTG conquistou a segunda colocação e recebeu R$ 3 mil, enquanto os Amigos da Bruxa ficaram em terceiro lugar, com premiação de R$ 2 mil.
A emoção tomou conta do palco durante a fala do líder dos Metralhas, Ronaldo Júnior, conhecido como Juninho, ao lembrar a ligação do pai com sua trajetória na equipe. Fundada em 1999, a equipe faz parte da história dele desde 2001. O gincaneiro contou que, durante anos, recebia mensagens do pai perguntando como estava a competição. Neste ano, porém, uma ausência tornou a conquista ainda mais significativa. “Todos os dias, nesse horário, eu recebia um WhatsApp do meu pai perguntando: ‘E aí, meu? Como é que está a Gincana hoje?’. Eu perdi meu pai há dois meses. Esse WhatsApp não chegou este ano, mas Deus sabe de todas as coisas. Meu pai está comemorando esse título com a gente. Onde ele estiver, ele está feliz agora com a nossa equipe”, disse, emocionado.
A fala resumiu um dos sentimentos que marcaram a 33ª edição: para muitos participantes, a Gincana é também um lugar de memória, onde histórias pessoais e familiares se encontram com a história da própria cidade.
Uma tradição que une gerações
Para Priscila Alvi, de 40 anos, moradora do bairro Água Branca e integrante da equipe NEBTG, a aproximação com a Gincana aconteceu justamente pela convivência com amigos e familiares que já participavam da tradição. “Eu participo há cinco anos, ainda sou nova na Gincana. Ela é muito conhecida lá no Água Branca. Tenho muitos amigos e familiares envolvidos e, vendo aquela alegria e aquela acolhida calorosa, tive vontade de participar”, contou.
Mesmo com as dificuldades das provas, Priscila destacou a importância da experiência e da união construída durante a competição. Moradora de Contagem durante toda a vida, ela também relaciona a Gincana ao carinho que sente pela cidade. “Eu sempre morei em Contagem, sempre participei das festas. Eu gosto muito de Contagem e minha família é toda daqui”.
Para quem acompanha a Gincana há décadas, a competição se tornou parte da própria trajetória de vida. É o caso de Adriana Rico, de 57 anos, que participa da tradição há 33 anos. Para ela, a maior recompensa está na energia e nos laços criados ao longo do tempo. “É energia, é família. Você junta todo mundo e tem uma energia tão gostosa, tão familiar. Isso é muito bom, porque o mundo precisa disso.”, afirmou.
Ao lembrar os momentos mais marcantes, Adriana destacou a conquista do primeiro lugar em 2023, mas reforçou que o principal é a permanência dos encontros. “O mais importante é a gente estar junto todo ano, as mesmas pessoas. Aí vêm as famílias, os filhos, todo mundo com a mesma energia”, ressaltou.
Descontração e celebração
Como toda boa Gincana, o encerramento também teve espaço para as brincadeiras e a irreverência. Em clima de descontração, os participantes elegeram ainda os gincaneiros mirins, além das categorias de mais chato e mais simpático ou simpática, arrancando risadas e aplausos do público.
Entre premiações, reencontros, música e brincadeiras, a 33ª Gincana de Contagem reafirmou sua força como patrimônio afetivo e cultural da cidade. São equipes que se organizam durante meses, amigos que se reencontram, famílias que crescem acompanhando a tradição e novos participantes que descobrem, a cada edição, o sentimento de pertencimento que move os gincaneiros.
Em Contagem, a Gincana não termina quando as provas acabam. Ela permanece nas histórias compartilhadas, nas amizades construídas, nas lembranças de quem já se foi e na certeza de que, enquanto houver gente disposta a se reunir, competir, brincar e celebrar, essa tradição continuará viva.
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