A campanha "Janeiro Roxo" abre o calendário da saúde em 2026, marcando o mês dedicado à conscientização, combate e prevenção à hanseníase. A mobilização ganhará destaque nacional no último domingo do mês (25/01), data em que se celebra o dia nacional de combate e prevenção à doença. A hanseníase é um problema crônico, causado pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos.
Em 2025, Contagem registrou oito casos da doença, sendo um deles em indivíduo com menos de 15 anos. Diante desse cenário, a Secretaria de Saúde de Contagem está empenhada em fortalecer as ações e sensibilizar a população para a erradicação da hanseníase como problema de saúde pública. A iniciativa visa intensificar o diagnóstico precoce, combater o estigma, a discriminação e a desinformação que ainda cercam o tema.
A transmissão ocorre principalmente pelas vias respiratórias, por meio da inalação de gotículas eliminadas pela fala, tosse ou espirro de pessoas acometidas pela doença e sem tratamento. Por isso, a identificação rápida é a melhor forma de interromper o ciclo de contágio.
Referência técnica da Diretoria de Vigilância Epidemiológica e Imunização de Contagem, Jussara Neves, explicou que o diagnóstico tardio muitas vezes é causado por barreiras culturais.
“O principal motivo que impede o diagnóstico precoce da hanseníase, sem sombra de dúvida,
é o estigma social e o desconhecimento sobre a doença. Muitas pessoas têm medo
de serem discriminadas ou não reconhecem os sinais iniciais como sendo um problema,
o que leva ao atraso na procura por atendimento”.
Referência técnica da Diretoria de Vigilância Epidemiológica e Imunização de Contagem, Jussara Neves
O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico, realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), baseado na avaliação de lesões cutâneas e de possível envolvimento de nervos periféricos. A confirmação é realizada por exames laboratoriais, como baciloscopia, biópsia, e outros. O tratamento é gratuito na rede SUS e varia conforme a classificação clínica da doença: seis meses para as formas iniciais (paucibacilar) e doze meses para as formas mais avançadas (multibacilar), utilizando a associação de medicamentos padronizada pelo Ministério da Saúde.
É fundamental que o paciente complete o ciclo medicamentoso, mesmo que as lesões de pele desapareçam nas fases iniciais, pois a ausência de sinais visíveis não significa a cura imediata. “O diagnóstico e tratamento precoces da hanseníase levam à cura, interrompem a transmissão e previnem incapacidades. Observe lesões de pele ou sintomas associados (formigamento, fraqueza) e informe o médico. Siga as recomendações, pois a doença pode evoluir e causar complicações se não tratada corretamente”, ressaltou Jussara.
A prevenção é essencialmente o diagnóstico precoce e tratamento imediato, pois assim interrompe a transmissão da hanseníase. O acompanhamento dos contatos do paciente, em um período de cinco anos após o diagnóstico, também é uma forma de prevenção. A vacina BCG, usada primariamente contra a tuberculose, é utilizada para proteger contra as manifestações mais graves da hanseníase, reduzindo o risco e a gravidade da doença. Porém, ela não é específica para hanseníase e não trata a doença. A vacinação é indicada como medida preventiva para contatos domiciliares saudáveis de pacientes diagnosticados, não sendo recomendada para quem já está infectado, cujo tratamento é exclusivamente medicamentoso.
A especialista ressaltou, ainda, que a aplicação da vacina não é automática. “Os contatos do paciente devem passar, obrigatoriamente, por uma avaliação clínica na UBS. A vacinação só é indicada após avaliação clínica e do histórico vacinal dos contatos, não havendo apresentação de sintomas", concluiu.
Sinais e sintomas da doença
A população deve ficar atenta e procurar a UBS mais próxima ao notar sinais como sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades, além de manchas brancas ou avermelhadas, geralmente com perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato. Também podem surgir áreas da pele aparentemente normais, mas com alteração de sensibilidade e da secreção de suor, caroços, placas no corpo e diminuição da força muscular.









