A natureza ganhou novos aliados na Comunidade Quilombola dos Arturos, na região Sede. Na última quinta-feira (24/9), a Prefeitura de Contagem acompanhou uma iniciativa de reflorestamento, recuperação ambiental e descontaminação das nascentes na comunidade, dentro do Projeto “Aliança da Água”. A atividade reuniu integrantes do Centro Municipal de Agricultura Urbana e Familiar (Cmauf), estudantes do Sesi Alvimar Carneiro de Rezende e representantes de instituições parceiras. A iniciativa teve como objetivo contribuir para a recuperação da área, ampliar a cobertura vegetal e preservar os recursos hídricos do local.
Desenvolvido pelo Sesi desde 2025, o “Aliança da Água” tem como foco na promoção da sustentabilidade e preservação dos recursos hídricos. No mesmo ano, o projeto recebeu reconhecimento das universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e de Viçosa (UFV) pelo impacto socioambiental da proposta. A iniciativa também reúne uma rede de parceiros como a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), além do apoio técnico e das orientações do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil de Contagem.
O professor de química da Funec/Centec e do Sesi Alvimar Carneiro de Rezende, Wellington Soares, explicou que a ação integra um projeto iniciado a partir da identificação de pontos de contaminação das nascentes. “Analisamos as nascentes e identificamos que cinco das sete estavam contaminadas por esgoto doméstico. A partir desse diagnóstico, desenvolvemos, com os alunos, um protótipo com tecnologia Arduino e ESP, que é uma versão de testes de um projeto eletrônico conectado à internet, para auxiliar na purificação da água”. De acordo com o professor, os testes em laboratório comprovaram a eficácia do sistema. “Agora queremos trazer essa tecnologia para a comunidade, ampliando a capacidade de biorremediação, ou seja, a utilização de plantas para remover os poluentes das nascentes”.

O projeto prevê a recuperação de nascentes e lagos, utilizando plantas, árvores e microorganismos para limpar e purificar a água - Fotos: Ricardo Lima/PMC
Ele ainda destacou que o reflorestamento da mata ciliar é uma etapa fundamental para a recuperação da área, que também contará com a canalização do esgoto para evitar novas contaminações. “A ação de hoje representa mais um passo nesse processo. Já iniciamos a biorremediação e estamos trabalhando para recuperar a mata ciliar e evitar a infiltração de esgoto. Nosso objetivo é unir tecnologia, ciência e preservação ambiental para recuperar essas nascentes e fazer com que esse projeto continue crescendo por meio de novas parcerias”, afirmou.
Para a diretora do Centro Municipal de Agricultura Urbana e Familiar (Cmauf), Rita Félix, a parceria com o projeto reforça a importância de integrar ciência, sustentabilidade e transformação social à preservação da Comunidade Quilombola dos Arturos. “É uma alegria contribuir com essa iniciativa. A comunidade tem papel importante na segurança alimentar de Contagem, tanto para o consumo próprio quanto pelo fornecimento de hortaliças aos três restaurantes populares do município. Por isso, cuidar da água do território é também cuidar das pessoas e da alimentação da nossa cidade”.
Preservação e sustentabilidade
A estudante do Sesi Alvimar Carneiro de Rezende e participante do projeto, Thalita Augusto, 18, contou que a iniciativa é uma continuidade do trabalho desenvolvido no ano anterior, quando o grupo estudou os impactos da mineração e da lama sobre as fontes de água da comunidade. “Participar do projeto tem sido uma experiência muito importante para mim. Acredito que a iniciativa também pode contribuir para a inovação tecnológica e possibilitar o desenvolvimento de soluções para o tratamento de água e esgoto em outras regiões, especialmente as mais vulneráveis”.
Já a aluna Mirella Ribeiro, 18, destacou a importância de participar, ainda durante a formação escolar, de um projeto que alia preservação ambiental e transformação social. “Estou muito feliz de participar, porque podemos contribuir para uma sociedade mais igualitária e conhecer outras realidades. A recuperação da água vai beneficiar diretamente a comunidade, especialmente a agricultura e a produção de alimentos. Estamos ajudando não apenas na preservação das nascentes e do lago, mas na qualidade de vida de toda uma comunidade e na valorização dos Arturos”, disse ela.
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