No próximo dia 1º de maio, Dia do Trabalhador, a partir das 8h, Contagem será palco do “Jubileu de 50 anos da Missa do Trabalhador”, uma das mais emblemáticas manifestações de fé e mobilização social do país. Realizada desde 1976, a celebração reúne milhares de fiéis na Praça da Cemig, consolidando-se como um símbolo tradicional de espiritualidade, resistência e luta por direitos.
Neste marco histórico, a Secretaria Municipal de Cultura avança em uma importante frente de valorização patrimonial fazendo a atualização do inventário da Missa do Trabalhador como bem cultural imaterial do município. Essa etapa é fundamental no processo de reconhecimento oficial da celebração como Patrimônio Imaterial de Contagem, reforçando seu valor histórico, social e identitário para a cidade.
A programação comemorativa também ganha um reforço especial com a exposição “Fé e Resistência: 50 anos da Missa do Trabalhador”. Ela apresenta registros históricos e memórias que atravessam cinco décadas de devoção e mobilização popular. Em formato itinerante, a mostra amplia o acesso à história da celebração, conectando diferentes territórios e públicos ao longo do dia.
Mais do que um ato religioso, a Missa do Trabalhador reforça, a cada edição, seu compromisso com a dignidade humana, a justiça social e a construção de uma sociedade mais solidária. Em 2026, a celebração convida a comunidade a renovar sua fé e seu engajamento coletivo na busca por direitos.
Um marco de fé e luta popular
A Missa do Trabalhador teve sua origem em 1976, em pleno período do regime militar brasileiro, quando o país vivia intensas mobilizações operárias. Contagem, que já havia sido protagonista na histórica greve de 1968, tornou-se cenário dessa iniciativa que uniu fé e reivindicação social.
Realizada anualmente no dia 1º de maio, a celebração acontece na Praça da Cemig, no coração da Cidade Industrial. O espaço foi escolhido por sua centralidade e proximidade com a Região Episcopal, tornando-se referência para as paróquias da Arquidiocese.
Ao longo dos anos, a Missa reúne, em média, cerca de 6 mil participantes, entre trabalhadores, famílias e comunidades religiosas. Com uma liturgia marcada por momentos de oração, cânticos, reflexões e manifestações culturais, a celebração mantém viva a memória das lutas trabalhistas, ao mesmo tempo em que fortalece valores de solidariedade e esperança.
Dilson José, integrante das comunidades eclesiais de base e coordenador da Pastoral Afro-brasileira, destaca a importância do município.“Contagem foi escolhida de forma estratégica por ser uma cidade industrial, com grande presença de operários. A Praça da Cemig sempre foi um espaço simbólico de luta, manifestação e celebração, marcando datas como o 1º de maio e o 12 de outubro. Com um papel importante no processo de organização e luta dos trabalhadores. Contagem sempre foi uma cidade acolhedora. Sempre nos acolheu com carinho e com atenção. Contagem, para nós, é o berço da Missa dos Trabalhadores”, contou.
Exposição “Fé e Resistência”
A exposição “Fé e Resistência: 50 anos da Missa do Trabalhador” propõe um mergulho na história dessa tradição, reunindo fotografias, documentos e registros que revelam a força simbólica da celebração ao longo das décadas.
Com caráter itinerante, a mostra percorre pontos estratégicos da região metropolitana, ampliando o alcance dessa memória coletiva e promovendo o diálogo entre cultura, fé e direitos sociais.
A jornalista e mestranda da PUC Minas Aline Peres explica como surgiu a ideia da exposição. “Percebi que estavam chegando os 50 anos da celebração e pedi autorização à Arquidiocese para poder escrever sobre o assunto. Comecei a entrevistar as pessoas que faziam parte da história da missa e incorporei o projeto do livro ao mestrado. No processo, desenvolvi um memorial para reunir essas memórias, já que não existia um espaço específico para isso. Visitei casas, igrejas e até casas de repouso, conversei com padres, freiras, sindicalistas e integrantes de pastorais, gravei relatos em áudio e reuni fotografias, lembranças e documentos que ajudam a contar a história da Missa do Trabalhador”, explicou.
Serviço
Missa do Trabalhador(a) – 50 anos
Dia: 1º de maio de 2026 (sexta-feira)
Horário: 8h
Praça da Cemig – av. Cardeal Eugênio Pacelli, bairro Industrial
Celebração presidida por Dom Nivaldo dos Santos Ferreira, com a presença dos padres da RENSA
Exposição – Fé e Resistência: 50 anos da Missa do Trabalhador
1º de maio de 2026
Programação:
• 7h às 11h – Praça da Cemig/Contagem
• A partir de 12h – Praça Raul Soares/BH
• A partir de 14h – Viaduto Santa Tereza/BH









