Antes mesmo do forró tomar conta da Praça Irmã Maria Paula, um desfile espontâneo de vestidos xadrez, chapéus, botas e cintos já anunciava que a segunda noite do Arraiá de Contagem seria de valorização da cultura popular. Para muitos visitantes, vestir-se a caráter faz parte da tradição e também impulsiona o comércio local, movimentando lojas de roupas, calçados e acessórios da cidade.
Na sexta-feira (3/7), centenas de famílias participaram da festa na Regional Petrolândia. A Praça Irmã Maria Paula ganhou ainda mais o aspecto de uma típica cidade do interior com o coreto iluminado, bandeirolas, balões de luz e uma decoração repleta de tecidos de chita, criando o cenário perfeito para a celebração.
A programação contou com a apresentação da quadrilha Arraiá Chapéu de Palha, formada por integrantes da própria região, e com o show da dupla João Marcos e Maurinho, que colocou o público para cantar e dançar ao som de clássicos do forró e do sertanejo.
No palco, acompanhado de vereadores, lideranças comunitárias e autoridades da Regional Petrolândia, o prefeito Ricardo Faria destacou a importância de ocupar os espaços públicos com cultura, lazer e convivência.
"Alegria está aqui nessa praça cheia, que a praça é o lugar do encontro, é o lugar que as famílias celebram alegria, esperança, felicidade. (...) A gente tem esse compromisso de irradiar a felicidade ocupando as nossas praças com festa, com alegria, com música e com cultura."
Prefeito de Contagem, Ricardo Faria.
O secretário municipal de Cultura, Gilvan Rodrigues, ressaltou que o Arraiá de Contagem está presente nas oito regionais da cidade.
"É com grande alegria que recebemos todos vocês nesse nosso segundo arraial aqui em Contagem, uma festa que a gente quer permanecer durante anos. Estamos rodando as oito regionais e convido todos vocês para aproveitarem todos os arraiais que acontecerão nas demais regionais. Uma boa festa para todos."
Secretário de Cultura, Gilvan Rodrigues.
Moda junina movimenta a economia

Os amigos Rafael Neres, Marco Túlio e Lucas Santos vestidos a caráter para o Arraiá do Petrolândia. Foto: Pablo Abranches.
Mesmo sem ser maioria, muitos visitantes fizeram questão de investir no figurino típico. O xadrez predominou nas produções, principalmente em tons de vermelho, mas estampas em preto e branco também apareceram entre vestidos, camisas, saias e acessórios. Chapéus, botas e cintos completaram o visual de quem entrou no clima da festa.
O próprio prefeito Ricardo Faria aderiu ao estilo. Na abertura do Arraiá de Contagem, apareceu usando chapéu e botas no melhor estilo cowboy, junto com sua esposa, Carol, que também prestigiou o evento vestida a caráter, com botas e figurino country.
Entre os participantes, Renne Martins Guimarães, 21 anos, desempregada, pesquisou inspirações na internet antes de montar o visual.
"Olhei referências na internet para montar o look. Algumas peças eu já tinha, mas comprei o chapéu especialmente para o Arraiá. Encontrei aqui mesmo, no Petrolândia, e paguei R$ 35,00". Para ela, o figurino faz parte da experiência. "O que eu mais gosto é das músicas e das comidas. Vale a pena sair do bairro para viver esse clima."
Outro destaque da festa foi o grupo de amigos Rafael Neres, 20 anos, morador do San Remo; Marco Túlio, 19 anos, do Riacho; e Lucas Santos, morador do Três Barras. Caracterizados no melhor estilo das festas do interior, eles chamavam atenção pelo visual, que combinava perfeitamente com o cenário montado na praça. Apaixonados pela cultura sertaneja, investiram em chapéus de alta qualidade. Rafael comprou o seu por R$ 650, enquanto Lucas pagou R$ 550 pelo acessório.
"Eu sempre fui apaixonado nesse estilo”, explica Lucas, afirmando que o investimento vai além da estética. "Eu comprei esse chapéu porque é um investimento. Você compra um chapéu desses para a vida. É um produto de qualidade." Os amigos contam que a compra não foi feita apenas para o Arraiá. "A gente gosta de cavalgada, piseiro e forró. Então compramos pensando em usar em outras ocasiões também", disse.
Para Débora Medosa, 22 anos, estudante de Psicologia, o figurino foi adquirido exclusivamente para participar da festa. "A roupa é só para vir ao Arraiá". Ela conta que investiu cerca de R$ 100 no look, comprado em lojas de Contagem, além de R$ 29,00 no chapéu.
As amigas Bruna Marcela de Castro Lopes, 39 anos, analista de software, e Bianca Doria, 43 anos, moradora de Betim, chegaram praticamente com o mesmo figurino, mostrando que o xadrez continua sendo o grande símbolo das festas juninas. Bianca faz questão de manter viva a tradição. "Tem muita gente que não está usando mais essas roupas. Eu falei: vou a caráter. Festa junina é voltar antigamente. Hoje a gente está perdendo a vontade de usar o xadrez e a gente está voltando às raízes", lembrou.
Na Economia Solidária, a artesã Fernanda Flora, 40 anos, também trabalhou vestida no tema da festa. "A gente procura sempre estar no tema do evento. Eu gosto do xadrez e é uma roupa bem versátil."
As histórias mostram como as festas juninas movimentam diferentes segmentos da economia, desde lojas de roupas e acessórios até pequenos empreendedores e artesãos que encontram neste período uma oportunidade de ampliar a renda.
Tradição também passa pela gastronomia

A gastronomia típica se destacou com a presença das barracas da Economia Solidária.
O clima de interior também esteve presente nas barracas espalhadas pela praça. O milho, um dos principais símbolos das festas juninas, apareceu em diferentes versões: tradicional na palha, picado e até gourmet, servido com queijo ralado e requeijão.
Para Alessandra Pereira Salvino, 37, vendedora de milho e derivados da Economia Solidária, o Arraiá representa uma importante oportunidade de geração de renda. "É uma das maiores feiras do ano. Para quem trabalha só com milho faz total diferença na nossa renda, é extremamente necessário."
Economia Solidária resgata brincadeiras tradicionais
Outro espaço bastante procurado foi a barraca de pescaria da Economia Solidária, que trouxe de volta uma das brincadeiras mais tradicionais dos antigos arraiais. Segundo Fernanda Rocha, a iniciativa surpreendeu. "A gente veio para atender o público infantil, mas quem está brincando mais são os adultos. Isso está remetendo à infância. A gente quis resgatar um pouco da tradição, trazendo a pescaria."
Organizada junto com a sua sócia, Denise Rocha, a barraca fez sucesso entre crianças e adultos e reforçou o compromisso da Economia Solidária com a valorização da cultura popular.
Mais do que uma grande festa, o Arraiá de Contagem é símbolo da política municipal de valorização das tradições populares, dos artistas locais e da ocupação dos espaços públicos por meio da cultura. A apresentação da dupla João Marcos e Maurinho, que participa do evento pela quarta vez, estando ausente em apenas uma edição, demonstra o fortalecimento da identidade cultural construída ao longo dos anos.
Além de proporcionar lazer para a população, o circuito movimenta a economia local ao impulsionar as vendas das barracas da Economia Solidária, dos ambulantes, dos bares e dos comerciantes do entorno, gerando renda e fortalecendo a cultura como instrumento de desenvolvimento social e econômico.
Hoje (4/7) tem Arraiá na Regional Industrial
A programação continua neste sábado (4/7) na Regional Industrial. O público poderá acompanhar o show da cantora Raquel Lídia e o retorno da tradicional Quadrilha Chic Chic, que apresenta o espetáculo "Entre Brasões, Amor e Traição".
A Economia Solidária também estarão presentes com comidas típicas, artesanato e mais barracas que valorizam a tradição junina.
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