"É difícil, muito difícil. Às vezes parece que não tem consolo. Mas, no final, a recompensa vem". A frase é de Jéssica Lorrayne Dias, 29 anos, moradora de Galileia, que saiu do Centro Materno Infantil de Contagem (CMI), no dia 30 de abril, com seu filho Arthur nos braços. Anteriormente, por cinco vezes, ela não teve a mesma sorte.
A maternidade sempre foi um sonho para ela. Mas, ao longo dos anos, esse desejo foi atravessado por perdas gestacionais sucessivas, internações e despedidas precoces, que colocaram à prova sua esperança. Aos 18 anos, viveu sua primeira gestação, que terminou em parto prematuro e na perda do bebê ainda no quarto.
Depois disso, outras três gestações também evoluíram para partos prematuros e perdas neonatais, todas em decorrência de complicações relacionadas à insuficiência istmo-cervical (IIC), condição em que o colo do útero não consegue sustentar a gestação até o tempo adequado. Como tentativa de tratamento, realizou a cerclagem, técnica cirúrgica que consiste em "fechar" o colo do útero com pontos para evitar a dilatação precoce. Ainda assim, os desfechos continuaram dolorosos. Após a quarta perda, Jéssica decidiu interromper o sonho de uma nova gravidez e optou pela adoção. Hoje, é mãe também de uma criança de cinco anos.
Mas a vida ainda reservava um novo capítulo. Na quinta gestação, inesperada, veio Arthur e com ele, uma nova chance.
Uma história de esperança e confiança
Mesmo diante dos prognósticos desfavoráveis e da exaustão emocional causada pelas experiências anteriores, Jéssica decidiu seguir acreditando. Foi nesse processo que buscou acompanhamento no Centro Materno Infantil de Contagem, maternidade reconhecida pela assistência especializada em gestação e parto de alto risco e pelo cuidado neonatal humanizado.
A escolha veio após receber recomendações positivas de profissionais de saúde de Belo Horizonte, que indicaram o CMI pela sua reconhecida capacidade de acompanhar casos complexos como o dela e após ouvir, também, relatos de outras mães atendidas na instituição.
A confiança depositada na equipe foi correspondida.
"Desde o primeiro momento, ela demonstrou uma força impressionante.
Mesmo após tantas perdas, manteve a esperança e seguiu todas as orientações
com muita dedicação. Ver o desfecho dessa história, com o Arthur nos braços da mãe,
é algo que nos emociona profundamente enquanto profissionais de saúde".
Pediatra do alojamento conjunto e da unidade canguru, Clenis Rodrigues Oliveira.
Um cuidado que vai além do clínico
Durante a internação, Jéssica encontrou no CMI não apenas suporte médico, mas um acolhimento integral. Atividades como musicoterapia, rodas de conversa e momentos de lazer foram oferecidos para cuidar também do emocional das mães. Segundo a enfermeira neonatal Bárbara Gabriela Carvalho, essas ações fazem toda a diferença no processo de recuperação: "Quando a gente propõe atividades como essas, elas ficam mais calmas. O bebê sente tudo que a mãe sente. Com isso, elas produzem mais leite, os bebês evoluem melhor e a chance de alta aumenta".
Jéssica também encontrou no banco de leite uma forma de retribuir o cuidado recebido. Mesmo tendo iniciado com leite doado, ela persistiu na amamentação e se tornou doadora. "Se meu filho recebeu, por que eu não ajudar outras mães?", questionou.
Após dois meses e oito dias de internação, ela deixou a unidade com Arthur nos braços saudável e com perspectiva de uma vida normal, com apenas os acompanhamentos de rotina.
Referência em neonatologia
A história de Jéssica e Arthur só foi possível graças à estrutura e ao compromisso técnico do CMI. A unidade conta com 20 leitos de CTI neonatal, 15 de cuidados intermediários (UCI) e cinco leitos canguru), além de posto de coleta de leite humano e suporte multidisciplinar com psicologia, serviço social e fonoaudiologia.
Nos últimos anos, a maternidade acumulou avanços tecnológicos significativos: novas incubadoras, ventiladores, dispositivos de fototerapia e monitores de última geração foram incorporados ao atendimento. "Nós recebemos equipamentos que facilitaram muito o atendimento e trouxeram mais segurança para o cuidado intensivo", reforçou Bárbara Carvalho.
Entre os recursos utilizados estão também técnicas como o "rolinho" de posicionamento, que simula o ambiente uterino, e o método canguru, baseado no contato pele a pele entre o bebê e os pais. "O método canguru fortalece o vínculo afetivo, melhora o ganho de peso e contribui para a estabilidade clínica do bebê. Para a mãe, é um momento de conexão e incentivo à amamentação", explica a enfermeira.
A estrutura conta com 187 leitos distribuídos entre maternidade, cuidado neonatal, cuidado pediátrico e centro cirúrgico. Na maternidade, são leitos de alojamento conjunto, ginecologia, pré-parto, observação ginecológica, quartos PPP (Pré-parto, Parto e Pós-parto: ambiente hospitalar humanizado onde a gestante permanece durante todas as fases do nascimento, evitando transferências entre áreas) e Casa da Gestante, Bebê e Puérpera.
O cuidado neonatal dispõe de leitos de UTI Neonatal, UCI Convencional e UCI Canguru. Já o cuidado pediátrico conta com observação pediátrica, enfermaria e UTI Pediátrica. O centro cirúrgico possui quatro salas cirúrgicas, sala de medicação e observação e pontos de cuidados na recuperação pós-anestésica.
Gestos que tornam histórias como esta, possíveis
Para que mais famílias vivam desfechos como o de Jéssica e Arthur, é preciso investir continuamente em tecnologia e estrutura. E a população de Contagem pode contribuir com isso. Por meio do Troco Solidário, em parceria com os Supermercados BH, é possível destinar os centavos do troco das compras para a aquisição de equipamentos e insumos utilizados no atendimento aos prematuros. São pequenos gestos que, somados, financiam as ferramentas que fazem a diferença entre a perda e a vida.
A história de Jéssica é um retrato da força de uma mãe, mas também da importância de um sistema de saúde comprometido com a vida, com a ciência e, acima de tudo, com o cuidado humanizado. Entre perdas e recomeços, ela e Arthur são a prova de que, quando há estrutura, dedicação e solidariedade, o sonho pode, enfim, ser realizado.









