O mês de abril é marcado mundialmente pela conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A campanha, simbolizada pela cor azul, chama atenção para a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento adequado e do respeito à neurodiversidade. No SUS Contagem, o atendimento às pessoas com TEA é organizado por níveis de complexidade, garantindo cuidado integral e contínuo. Essa organização envolve a atuação articulada entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e a Atenção Ambulatorial Especializada (AAE).
As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são a porta de entrada. Nelas, são realizadas as primeiras avaliações das demandas clínicas e, quando necessário, os encaminhamentos para os outros pontos da rede. Casos que demandam diagnóstico mais complexo ou terapias específicas passam a ser acompanhados também pela Atenção Especializada.
“O processo de reabilitação pode acontecer tanto na Atenção Primária quanto nos demais pontos da rede. Trabalhamos com o cuidado compartilhado e com a construção do projeto terapêutico singular, que considera as necessidades de cada usuário e busca promover a autonomia da criança e da família, além da inclusão no território”, explica a referência técnica em reabilitação intelectual, Amanda Lobo.
Atualmente, as UBSs são referência para o acompanhamento na Atenção Primária, com atuação das equipes multidisciplinares. Já a Atenção Especializada conta com serviços como o Centro Especializado em Reabilitação Antônio de Oliveira (CER IV), o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), o Centro de Atendimento e Inclusão Social (CAIS), além de clínicas conveniadas. O CER IV realiza cerca de 1.600 atendimentos mensais em reabilitação intelectual, enquanto o CAIS soma aproximadamente 1.566 atendimentos na mesma área.
É importante destacar que o percurso do usuário na rede é dinâmico. Estar na Atenção Primária não significa que não haverá necessidade de atendimento especializado em outro momento. Da mesma forma, durante e após o acompanhamento na Atenção Especializada, o usuário segue sendo acompanhado pela APS.
Atendimento e características do TEA
O psicólogo e gerente do Serviço de Reabilitação Intelectual do CER IV, Jeyverson Mendes, explica que o TEA é uma condição caracterizada principalmente por desafios na comunicação e na interação social, além de comportamentos repetitivos e interesses restritos, podendo apresentar diferentes níveis de suporte conforme as necessidades de cada indivíduo.
“É uma condição de saúde em que, sem o tratamento adequado, podem surgir comportamentos desafiadores, inclusive agressivos. Estamos falando de um espectro, ou seja, há variações no funcionamento e no repertório comportamental das pessoas com autismo. Temos níveis de suporte um, dois e três, o que conversa muito com esse repertório de habilidades que cada pessoa possui”, afirma.
Dessa maneira, o tratamento envolve diferentes especialidades. “O atendimento é multiprofissional, com a participação de áreas como psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e fisioterapia, além da assistência social e de profissionais médicos. As intervenções são definidas de forma individualizada, a partir de uma avaliação qualificada”, completa.
A experiência da mãe Amanda Viviane Xavier ilustra o impacto desse acompanhamento. Ela relata que o atendimento no CER IV foi um divisor de águas na vida da família. “Eu considero o CER IV transformador nas nossas vidas, não só pela qualidade técnica, mas pelo acolhimento. O meu filho Leandro não fazia contato visual, hoje faz. Não distinguia cores, hoje distingue. Ele era totalmente dependente, mas já busca sua própria água, o seu próprio alimento. O Leandro não ficava em ambientes com muita aglomeração de pessoas, hoje ele fica. Então, assim, está sendo transformador. E esses tipos de avanços nele estão trazendo avanços também na família, porque ele está evoluindo e vamos acompanhando com ele”.
Rede
Para os profissionais Paulo Nogueira, psicólogo, e Daniela Bueno, fonoaudióloga, de uma das clínicas conveniadas do SUS Contagem, o trabalho em rede é fundamental para garantir um atendimento mais humanizado e efetivo. “É essencial que haja articulação entre os serviços de saúde, a escola e a família. Muitas vezes, os responsáveis chegam sem orientação sobre onde buscar ajuda. Por isso, ampliar o acesso à informação e fortalecer esse diálogo faz toda a diferença no cuidado”.
Eles também reforçam que a participação da família é decisiva no processo terapêutico. “O cuidado não se limita aos atendimentos nos serviços de saúde. Ele acontece no dia a dia, na convivência familiar, na escola e em outros espaços. O envolvimento da família contribui diretamente para o desenvolvimento e a inclusão da criança”.









