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MAI
11
11 MAI 2026
CULTURA
Arturos reafirmam cultura quilombola e emocionam participantes da festa
Foto Noticia Principal Grande
Foto: João Pedro Alcântara / PMC
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O som dos tambores ecoando pela Comunidade Quilombola dos Arturos, os encontros das guardas de congado, os cortejos, a encenação sobre a escravidão e a força da ancestralidade transformaram Contagem em um grande território de memória, fé e resistência durante a tradicional Festa da Abolição, realizada entre os dias 8 e 10 de maio. Com apoio da Prefeitura de Contagem, a celebração reuniu moradores, visitantes e grupos de reinado em uma das manifestações culturais mais importantes de Minas Gerais.

Neste ano, a festa ganhou um significado ainda mais especial com mais uma renovação da formalização do termo de fomento celebrado entre a Prefeitura de Contagem e a Comunidade Quilombola dos Arturos, por meio do Fundo Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural (FUMPAC), garantindo o repasse de R$ 200 mil para a manutenção e salvaguarda das tradições culturais da comunidade. O investimento, realizado desde 2013, assegura a continuidade do calendário anual de atividades e das festividades de um dos principais quilombos da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Durante a celebração, o prefeito de Contagem, Ricardo Faria, reforçou o compromisso da administração municipal com a preservação do patrimônio cultural e das tradições quilombolas.

“Reafirmo o compromisso com a salvaguarda do patrimônio cultural e material de nossa cidade e com as comunidades tradicionais. O meu governo será de continuidade, sobretudo, reafirmando o compromisso com a cultura do povo negro de nossa cidade, com a Comunidade dos Arturos, dos Ciriacos, com as guardas, com a tradição e a fé do nosso povo. Coloco, portanto, a Prefeitura à disposição. Finalizo minhas saudações cumprimentando as irmandades do reinado, na pessoa de José Bonifácio, que faz parte de nossa história. Deixo a reflexão de que os grilhões da escravidão ainda permeiam nossa sociedade, e devemos permanecer vigilantes para que nosso povo não seja escravizado.”

Prefeito Ricardo Faria

O secretário municipal de Cultura, Gilvan Rodrigues, destacou a importância do trabalho coletivo de preservação da memória e da ancestralidade afro-brasileira. “Nossa equipe vem desenvolvendo um trabalho importantíssimo de reconhecimento do nosso patrimônio material, resgatando a memória e tudo aquilo que carregamos da nossa ancestralidade. É nessa perspectiva que a Secretaria de Cultura, com certeza, continuará atuando”, concluiu.

O presidente da Associação dos Arturos, Everton Eustáquio da Silva, falou sobre a resistência, a união da comunidade e a continuidade das tradições quilombolas. “Estamos passando por um momento de muitas conquistas para a nossa comunidade, como a regularização territorial, além das reformas da nossa capela e da nossa sede. Isso acontece com o apoio de toda a comunidade e do poder público que sempre apoiam o nosso capitão, nossa rainha e nosso trono coroado.”

Entre os participantes, a emoção tomou conta de quem acompanhou as celebrações de perto. Daniela Junqueira, de 44 anos, servidora da Força Aérea Brasileira e fotógrafa nas horas vagas, destacou a ligação afetiva construída com a festa desde a infância. Daniela também fez questão de compartilhar os registros fotográficos feitos durante a celebração para apresentar o seu olhar sobre a festividade. “Moro em São Paulo, mas fui criada e nasci em Contagem. Meus pais são vizinhos dos Arturos e a festa tem uma memória afetiva muito forte para mim. Desde criança acompanho a festa e frequento a comunidade. O encontro das guardas é sempre muito marcante, mas a encenação dos escravos sempre remete a todo o passado. Hoje eu estava fotografando, mas sempre me emociono. É impossível não chorar com o som do tambor e das congas. A música ‘Caindo Fulô’ é muito especial.”

Já o estudante Matheus Coutinho, de 17 anos, destacou o impacto da celebração na conscientização sobre a história do povo negro e no combate ao preconceito.“Eu vejo a Festa da Abolição como um acontecimento muito importante para a cultura de Contagem, para que a sociedade realmente entenda o valor do povo negro e compreenda o que foi o período da escravidão. Às vezes, principalmente para nós estudantes, existe uma visão muito superficial do que realmente aconteceu, porque não vivemos aquele período e acabamos conhecendo apenas pela escola. Quando existe um teatro, toda uma preparação, uma festa e elementos que já conhecemos previamente, isso gera um sentimento real de tristeza e revolta pelo que aconteceu com as pessoas e com toda a identidade de um povo. Isso é muito importante para a sociedade, para que o combate ao preconceito seja mais efetivo e para que a cabeça das pessoas seja realmente impactada.”

Programação

A programação da Festa da Abolição teve início na sexta-feira (8/5), com o encerramento da novena e o tradicional Ritual do Candombe, realizado na Comunidade dos Arturos. No sábado (9/5), o levantamento dos mastros mobilizou moradores e visitantes na Casa da Cultura Nair Mendes Moreira, na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário e na própria comunidade quilombola. Já no domingo (10/5), as atividades começaram ainda na madrugada, com a Matina, seguida pelos cortejos das guardas de Congo e Moçambique dos Arturos e dos representantes dos escravizados até a Igreja do Rosário. A programação contou ainda com encontros de congados visitantes, encenação e reflexão sobre a Abolição da Escravatura, Missa Conga, procissão com as imagens de São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário, almoço comunitário, cumprimento de promessas e o tradicional descimento das bandeiras, encerrando a celebração marcada pela fé, pela memória e pela valorização da cultura afro-brasileira.

A edição deste ano teve como representantes da festa Everton Eustáquio, presidente da Irmandade; José Bonifácio da Luz, capitão-mor e patriarca; José Maria Maciel, Rei Congo; Maria Lúcia da Silva Santos, Rainha Conga; Antônio Eustáquio da Silva, capitão regente e rei festeiro; e Neuza Maria dos Santos Silva, rainha festeira.

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Autor: repórter Pablo Abranches / Edição: Vanessa Trotta
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