A Prefeitura de Contagem iniciou no dia 22 de abril o Circuito Antimanicomial, com uma programação especial voltada a usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). De iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o evento, que se estenderá por toda a cidade até o dia 13 de maio, reforça o cuidado humanizado e fortalece o movimento nacional, cujo ápice ocorre no Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18 de maio).
A Luta Antimanicomial é um movimento social e político que combate a lógica manicomial de tratar pessoas com sofrimento psíquico por meio do isolamento, da exclusão e da violência e defende que o cuidado em saúde mental deve ser feito em liberdade, com respeito aos direitos humanos e à singularidade de cada sujeito.
Iniciando as atividades, o primeiro encontro, realizado no dia 22/4, ocorreu no Centro Social Urbano (CSU) Amazonas, trazendo como tema “Somos diferentes, somos muitos, mas todos cabem no mundo”. O evento contou com uma programação com diversas ações como percussão para a vitalidade, Lian Gong, Yoga, além de exposição e venda dos trabalhos realizados pelos “Projeto TEIA” e “Meu Rolê”, ambos fomentam a mobilização criativa e cidadã dos usuários assistidos, por meio da convivência e da oferta de oficinas terapêuticas para produções no campo do artesanato, da jardinagem, do teatro e da escrita, entre outras áreas. A ação contou também com o Grupo Esperança, que acolhe pessoas em sofrimento psíquico, oferecendo um espaço coletivo de apoio em saúde mental que promove escuta, convivência, autonomia e cuidado em liberdade.
A diretora do Distrito Industrial, Eliana Cardoso, comemorou o início do circuito e destacou sua importância. “É uma causa muito importante para transformar a saúde mental, focando na inclusão, dignidade e direitos humanos de pessoas em sofrimento mental, sendo fundamental para uma sociedade mais justa e acolhedora”.
A abordagem antimanicomial defende a desinstitucionalização das pessoas em sofrimento psíquico, substituindo os grandes hospitais psiquiátricos por serviços públicos de saúde mental inseridos no território. Esses serviços priorizam o cuidado em liberdade, de forma mais humanizada e inclusiva, promovendo autonomia no tratamento e favorecendo a reintegração social. Além disso, valorizam a escuta qualificada e a participação ativa dos usuários na construção de seus próprios projetos terapêuticos.
O médico psiquiatra e coordenador do Grupo Esperança, Fábio Rabelo Teixeira, ressaltou a importância de um cuidado mais humano e baseado na liberdade. “A luta antimanicomial defende um modelo de atenção que valoriza o convívio, as atividades em grupo e as expressões como a arte, em contraste com práticas antigas que isolavam e excluíam pessoas consideradas diferentes. Hoje, a proposta é justamente o oposto: reconhecer, respeitar e conviver com as diferenças”.
A articuladora de território do projeto TEIA dos distritos Industrial e Riacho, Diene Fonda, reforçou que o circuito se relaciona à defesa dos direitos humanos e à promoção da igualdade. “Buscamos combater o estigma e a discriminação, garantindo que as pessoas em situação de sofrimento mental tenham os mesmos direitos e oportunidades que qualquer outra pessoa na sociedade”.
Programação completa do Circuito Antimanicomial
O Circuito Antimanicomial traz uma programação extensa em Contagem, encerrando no dia 13 de maio, com o Ato Municipal da Luta Antimanicomial, na praça da Glória, no Eldorado, para comemorar a rede substitutiva aos manicômios.
Programação
22/04 Distrito Industrial — 09h — CSU Amazonas — Rua Marquês de Paraná, 95.
22/04 Distrito Sede — 13h30 — Parque Municipal Gentil Diniz — Rua Maria do Carmo Diniz.
28/04 Distrito Nacional — 13h30 — Parque Amendoeiras — Rua Turfa, 301.
29/04 Distrito Petrolândia — 08h30 — Parque Tropical (Casa de Vidro) — Rua Trinta e Quatro, 220.
29/04 Distrito Vargem das Flores — 14h — CEU das Artes — Rua VP - 2 —2490.
30/04 Distrito Riacho 10h — UBS Riacho — Avenida Rio Negro, 95.
06/05 Distrito Eldorado 9h— UBS CSU Eldorado — Rua Senegal, 229.
08/05 Distrito Ressaca 13h30 — CEU das Artes — Rua Magnólia, 100.
Fórum Municipal de Saúde Mental: "Diálogos e Integração na RAPS Contagem"
Exposição de Arte "Somos diferentes, somos muitos, mas todos cabem no mundo"
Ato Municipal da Luta Antimanicomial
Desfile da Escola de Samba Liberdade Ainda que Tan Tan
Dia Nacional da Luta Antimanicomial
O dia 18 de maio marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, que destaca a importância dos direitos das pessoas com sofrimento mental e do combate aos tratamentos em hospitais psiquiátricos. O movimento teve como intenção substituir o tratamento centrado em internações em hospitais psiquiátricos, modelo adotado no país à época. A partir daí a discussão foi ganhando mais força entre os profissionais de saúde mental e familiares dos usuários que, em 18 de maio de 1987, realizaram o 1º Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental, evento que produziu um documento considerado o marco inicial cuja maior conquista viria quase uma década e meia depois, com a aprovação da Lei da Reforma Psiquiátrica - 10.216/2001. Como processo decorrente deste movimento, temos a Reforma Psiquiátrica, como diretriz de reformulação do modelo de Atenção à Saúde Mental, transferido o foco do tratamento que se concentrava na instituição hospitalar, para uma Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos.
O manicômio não é apenas um espaço físico. É um modelo de pensamento e prática que isola, controla e violenta. Trata-se de uma lógica que historicamente classifica determinadas manifestações e pessoas como perigosas, incapazes e sem voz, legitimando sua exclusão da vida em sociedade. Essa data, no entanto, convida à reflexão e reafirma a necessidade permanente de promover a conscientização, a mobilização social e a implementação de políticas de saúde mental mais inclusivas, humanizadas e respeitosas às pessoas em sofrimento psíquico.