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ABR
24
24 ABR 2026
Circuito Antimanicomial reforça o cuidado humanizado em saúde mental
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A Prefeitura de Contagem iniciou no dia 22 de abril o Circuito Antimanicomial, com uma programação especial voltada a usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). De iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS),  o evento, que se estenderá por toda a cidade até o dia 13 de maio, reforça o cuidado humanizado e fortalece o movimento nacional, cujo ápice ocorre no Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18 de maio).

A Luta Antimanicomial é um movimento social e político que combate a lógica manicomial de tratar pessoas com sofrimento psíquico por meio do isolamento, da exclusão e da violência e defende que o cuidado em saúde mental deve ser feito em liberdade, com respeito aos direitos humanos e à singularidade de cada sujeito.

Iniciando as atividades, o primeiro encontro, realizado no dia 22/4, ocorreu no Centro Social Urbano (CSU) Amazonas, trazendo como tema “Somos diferentes, somos muitos, mas todos cabem no mundo”. O evento contou com uma programação com diversas ações como percussão para a vitalidade, Lian Gong, Yoga, além de exposição e venda dos trabalhos realizados pelos “Projeto TEIA” e “Meu Rolê”, ambos fomentam a mobilização criativa e cidadã dos usuários assistidos, por meio da convivência e da oferta de oficinas terapêuticas para produções no campo do artesanato, da jardinagem, do teatro e da escrita, entre outras áreas. A ação contou também com o Grupo Esperança, que acolhe pessoas em sofrimento psíquico, oferecendo um espaço coletivo de apoio em saúde mental que promove escuta, convivência, autonomia e cuidado em liberdade.

A diretora do Distrito Industrial, Eliana Cardoso, comemorou o início do circuito e destacou sua importância. “É uma causa muito importante para transformar a saúde mental, focando na inclusão, dignidade e direitos humanos de pessoas em sofrimento mental, sendo fundamental para uma sociedade mais justa e acolhedora”.

A abordagem antimanicomial defende a desinstitucionalização das pessoas em sofrimento psíquico, substituindo os grandes hospitais psiquiátricos por serviços públicos de saúde mental inseridos no território. Esses serviços priorizam o cuidado em liberdade, de forma mais humanizada e inclusiva, promovendo autonomia no tratamento e favorecendo a reintegração social. Além disso, valorizam a escuta qualificada e a participação ativa dos usuários na construção de seus próprios projetos terapêuticos.

O médico psiquiatra e coordenador do Grupo Esperança, Fábio Rabelo Teixeira, ressaltou a importância de um cuidado mais humano e baseado na liberdade. “A luta antimanicomial defende um modelo de atenção que valoriza o convívio, as atividades em grupo e as expressões como a arte, em contraste com práticas antigas que isolavam e excluíam pessoas consideradas diferentes. Hoje, a proposta é justamente o oposto: reconhecer, respeitar e conviver com as diferenças”.

A articuladora de território do projeto TEIA dos distritos Industrial e Riacho, Diene Fonda, reforçou que o circuito se relaciona à defesa dos direitos humanos e à promoção da igualdade. “Buscamos combater o estigma e a discriminação, garantindo que as pessoas em situação de sofrimento mental tenham os mesmos direitos e oportunidades que qualquer outra pessoa na sociedade”.

Programação completa do Circuito Antimanicomial

O Circuito Antimanicomial traz uma programação extensa em Contagem, encerrando no dia 13 de maio, com o Ato Municipal da Luta Antimanicomial, na praça da Glória, no Eldorado, para comemorar a rede substitutiva aos manicômios.

Programação 

  • 22/04 Distrito Industrial — 09h — CSU Amazonas — Rua Marquês de Paraná, 95.

  • 22/04 Distrito Sede — 13h30 — Parque Municipal Gentil Diniz — Rua Maria do Carmo Diniz.

  • 28/04 Distrito Nacional — 13h30 — Parque Amendoeiras — Rua Turfa, 301.

  • 29/04 Distrito Petrolândia — 08h30 — Parque Tropical (Casa de Vidro) — Rua Trinta e Quatro, 220.

  • 29/04 Distrito Vargem das Flores — 14h — CEU das Artes — Rua VP - 2 —2490.

  • 30/04 Distrito Riacho 10h — UBS Riacho — Avenida Rio Negro, 95.

  • 06/05 Distrito Eldorado 9h— UBS CSU Eldorado — Rua Senegal, 229.

  • 08/05 Distrito Ressaca 13h30 — CEU das Artes — Rua Magnólia, 100.

Fórum Municipal de Saúde Mental: "Diálogos e Integração na RAPS Contagem"

  • Data: 24/4/2026
  • Horário: 8h30 às 12h
  • Local: Auditório da Faculdade UNA de Contagem
  • Av. Maria da Glória Rocha, 175 - Lote 01 Letra B - Bitacula.

Exposição de Arte "Somos diferentes, somos muitos, mas todos cabem no mundo"

  • Local: Estação das Artes Bernardo Monteiro — Rua Des. Luciano Souza Lima, Bela Vista, 1.250.
  • Inauguração da Mostra de Arte: 6/5/2026
  • Permanência da Exposição: até dia 29/5/2026

Ato Municipal da Luta Antimanicomial

  • Data: 13/5/2026
  • Horário: 13h30 às 17h
  • Local: Praça da Glória – Rua dos Ingás, Eldorado.

Desfile da Escola de Samba Liberdade Ainda que Tan Tan

  • Data: 18/5/2026
  • Concentração/início: 13h30.
  • Local: Praça da Liberdade - Belo Horizonte/MG


Dia Nacional da Luta Antimanicomial

O dia 18 de maio marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, que destaca a importância dos direitos das pessoas com sofrimento mental e do combate aos tratamentos em hospitais psiquiátricos. O movimento teve como intenção substituir o tratamento centrado em internações em hospitais psiquiátricos, modelo adotado no país à época. A partir daí a discussão foi ganhando mais força entre os profissionais de saúde mental e familiares dos usuários que, em 18 de maio de 1987, realizaram o 1º Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental, evento que produziu um documento considerado o marco inicial cuja maior conquista viria quase uma década e meia depois, com a aprovação da Lei da Reforma Psiquiátrica - 10.216/2001. Como processo decorrente deste movimento, temos a Reforma Psiquiátrica, como diretriz de reformulação do modelo de Atenção à Saúde Mental, transferido o foco do tratamento que se concentrava na instituição hospitalar, para uma Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos.

O manicômio não é apenas um espaço físico. É um modelo de pensamento e prática que isola, controla e violenta. Trata-se de uma lógica que historicamente classifica determinadas manifestações e pessoas como perigosas, incapazes e sem voz, legitimando sua exclusão da vida em sociedade. Essa data, no entanto, convida à reflexão e reafirma a necessidade permanente de promover a conscientização, a mobilização social e a implementação de políticas de saúde mental mais inclusivas, humanizadas e respeitosas às pessoas em sofrimento psíquico.


 
Autor: estagiário Gustavo Oliveira sob supervisão da jornalista Natália Rosa 
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